O pernambucano Bernardo
Pigmeu tem humildade suficiente para não se achar
a bola da vez. Depois de pegar uma onda nota 10 no Pipeline
Masters do ano passado, ele volta a se dar bem no Hawaii com
um ótimo terceiro lugar na última etapa do WQS
em Haleiwa. "Fluiu tudo positivamente", diz Pigmeu.
Ele agora precisa somente passar mais duas baterias no evento
em Sunset para confirmar a estréia no WCT 2005. Durante
um almoço depois de uma sessão irada em Rocky
Point troquei uma idéia com ele e não senti
pressão nas pernas de mais um brazuca às portas
da realização de um sonho de criança.
Estamos torcendo. Você sabe que
é a bola da vez?
Não. Tem muita gente arrepiando e tendo ótimos
resultados no Brasil. O Trekinho é um deles. Eu sou
o que mais tenho chance de emplacar no WCT por sorte e esforço.
Mas vamos ver no que dá.
Quais atletas mais incomodaram no tour deste ano,
a galera que também está batendo na porta
do WCT?
Bede Durbidge (AUS), Adriano Mineirinho e Fred Patacchia
(Haw).
E quais eventos mais te agradaram no tour do WQS
este ano?
Noronha, Pipeline, Maldivas e Anglet. E o melhor resultado,
com certeza foi o de Haleiwa, fluiu tudo naturalmente.
Que prancha usou nessas baterias?
Uma Ricardo Martins 6'3.
Ficar na casa do local Jamie O'brien nas últimas
etapas influiu alguma
coisa nos resultados que você vem tendo nas etapas
havaianas do WQS? No ano
passado você fez excelentes baterias em Pipe, com
direito a nota 10 e tudo
mais...
Influencia e muito. Eu acabo conhecendo os caras mais chatos
e tendo um pouco mais de liberdade para treinar. Afinal,
a casa do Jamie éde frente para Pipe, Backdoor, a
onda mais pesada. E o Jamie surfa muito e inspira.
E a pressão agora em Sunset. Como você está
se sentindo?
Mais tranqüilo do que eu esperava. Quero fazer o meu
melhor. Eu gosto de competir e sentir essa vibração.
Competir em Sunset clássico é uma
dádiva. Como foi sua primeira bateria? Que
prancha usou naquelas condições de 6 a 8 pés?
Altas ondas. Eu usei uma 6'8 RM e peguei bons tubos. Foi
alucinante.
Desde moleque você sonhou em correr o circuito.
Quais as diferenças do sonho
para a realidade?e quais as diferenças que você
não esperava encontrar?
Eu estava acostumado a correr o circuito brasileiro amador
com a equipe do
Nordeste, sabe, aquela união e tal. No circuito é
cada um por si. Você tem que se identificar com uma
pessoa e viajar com ela. No começo, com Grillo e
Marcondes. Agora, viajo sempre com o Jamie O'brien. Ele
é muito divertido e gente fina.
Aloha e até a próxima!
Sylvio Mancusi
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