´Antes tarde do que
tarde demais´ - WCT BRASIL 2004
Participei do Nova Skin Surf Festival aos quarenta e cinco
do segundo tempo.Digo isso porque eu não estou no
WCT e os critérios para se participar de um evento
desses mudaram.Antigamente, se um top 45 faltava ao evento,
as vagas eram preenchidas pelos atletas da seqüência
do ranking que não haviam se classificado, Agora
com a nova regra, além dos dois wild cards legítimos,
os diretores dos eventos é que escolhem os surfistas
que vão preencher as vagas. Estava com muita vontade
de participar do evento, mas apenas via o cancelamento de
alguns tops que supostamente viriam e a lista de brasileiro
ia sendo adicionada... Eu só na torcida. Até
que enfim, depois que uns 5 caras cancelarem a participação,
acabaram me convidado para o evento. Pôxa! Fiquei
muito amarradão e só pensava em honrar minha
participação. Eu que estou tentando retornar
ao WCT no máximo em 2006. Era de extrema importância
pra mim participar do evento e não perder o contato
com a galera do Tour. Ainda bem que aproveitei o máximo
e quase ia bem de verdade, parando apenas nas quartas de
final para meu amigo Renan Rocha. Estava cheio de cara embalado
na prova, e entre os Brasileiros, Renan era um deles. Passei
por baterias difíceis e mesmo não surfando
tão bem nas duas primeiras disputas, os adversários
eram de peso. Após a faze inicial na praia da Joaquina
onde fiquei em segundo atrás de Daren O'raferty e
na frente de Jake Patterson, disputei a repescagem contra
Taylor Knox em Imbituba. Haviam ótimas ondas na praia
da Vila, mas naquela ocasião as ondas haviam ficado
um pouco demoradas. O Taylor precisava de pouca nota para
me passar, mas a onda que pegou para tentar virar veio apenas
depois do toque de encerramento. Devido as más condições
do swell para as praias de Floripa, o evento que era móvel,
permaneceu em Imbituba, mesmo com ondas variando de 3 a
5 pés pelos dois dias seguintes, só baixando
mesmo no dia da final. Minha bateria seguinte foi contra
Clinton James Hobgood, o famoso "Ci Jêy".
Nessa disputa surfei melhor e as filmagens que minha esposa
fez desta bateria ficaram muito legais. O ângulo que
ela fez de cima das pedras que ficam no canto esquerdo da
praia, deixava aquele visual na diagonal incrível.
O sol brilhava na parede da onda e de quebra ainda tinha
o visual da ilha atrás. Após esta disputa
estava embalando e nas oitavas enfrentei a Paulo Mora. Essa
foi uma disputa emocionante, pois Moura necessitando dos
pontos para melhorar sua posição no WCT, estava
no maior gás. Eu que não tinha nada a perder,
estava tranqüilo e também dando o gás...
Então foi show. Moura pegou uma esquerda irada e
fez o maior notão, na detrás eu dei um gás
e com duas rasgadas fortes aliadas a uma batida na junção
onde a rabeta de minha prancha chegou a desgarrar, fiz um
sete e tanto e voltei pra briga. Quando as coisas tem que
acontecer, acontecem...Pois eu precisava ainda de uma nota
alta e em uma direita acabei pegando um tubo. Coisa difícil
na praia da Vila naquele dia porque as ondas apesar de boas,
estavam um pouco cheias. Infelizmente nas quartas, Renan
acabou com minha alegria, mas mesmo assim foi show. Fiquei
impressionado com o carinho e empolgação da
torcida em relação aos brasileiros. Desde
os extintos WCTS na Barra da Tijuca que eu não via
tamanha vibração. Tânio Barreto além
de Renan, foi o outro semifinalista, só perdendo
para o campeão Taj Burrow. Assisti a disputa final
ao vivo e a cores esparramado no solfa lá de casa.
O Sportv arrebentou na cobertura com Teco "Bolão"
Padaratz e Tiago Brant como comentaristas. De quebra ainda
tinha participação de Roberto Perdigão
(diretor da ASP América do Sul), que adicionou excelentes
curiosidades e comentários. Imagino o quanto foi
difícil realizar um evento daqueles e a galera envolvida
está de parabéns.Bom pra o surf brasileiro,
fazendo bem o dever de casa em áreas distintas e
pra gringo nenhum botar defeito.
Por Fábio Gouveia
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