E o bode funcionou, menino!
Praia do Bode clássica. Foi isso que vimos no Hang
Loose Pro Contest 2007. Segunda etapa da perna brasileira
do início de ano e que recebeu da ASP o status de
“Prime”, ou seja, mesmo com apenas as cinco
estrelas, o evento agora é “tampa de crush”
e recebeu 2500 pontos para o vencedor. E esse ano jurava
que um brasileiro venceria novamente. Até eu já
estava começando a ficar empolgado, mas parei nas
oitavas já no sábado quando o mar havia dado
uma piorada com ondas no canto da Cacimba totalmente imprevisíveis.
Que o diga Leandro Bastos, carioca que foi bater na finalíssima
surfando muito bem e acabou esbarrando no espanhol Aritz
Aramburú. O “Chico”, que na real vem
do país basco, surpreendeu a todos ao levantar o
caneco de arte tubular com muita regularidade. As ondas
naquele momento estavam bem difíceis, e o fator loteria
foi decisivo: o cara achou uma melhorzinha e venceu.
Voltando ao Bode, foi maravilhoso ver o pico quebrar e participar
daquele momento. Vários anos de evento rolando e
nunca quebrava aquela direita. Eram só tubões
e notões. Show de surf, onde muita gente arrebentou.
Marcelo Trekinho, Jihad, Jean da Silva, Danilo Grilo, Pablo
Paulino e o “grom” Miguel Pupo são os
que vêm em mente no momento. Fora a competição
em si, a briga pelas melhores fotos também era grande,
tanto por parte dos competidores como por parte dos fotógrafos.
Muitas vezes quando descíamos a onda, a quantidade
de câmeras na frente chegava a nos forçar a
mudar a trajetória da prancha, e no final tinha alguém
perdendo o melhor momento do clic.
Neste ano vieram ainda mais estrangeiros, que, com certeza,
voltaram para seus picos com boas histórias, e ano
que vem teremos lotação. O americano ex-WCT
Shea Lopes se fartou de tubos e era só elogio, tal
como Mason Ho, havaiano da nova geração e
filho do legendário Michel Ho. O moleque não
parava de falar que aquilo parecia Hawaii.
Fiquei no arquipélago por mais de uma semana após
o evento, mas como foi emenda de carnaval, o crowd apenas
mudou. Era Cacimba lotada todos os dias, e três ondulações
entraram neste curto período. Uma com vento ruim,
outra com tamanho beirando os oito pés e uma novamente
no Bode, um pouco menor do que a ondulação
do evento, porém tão perfeita quanto.
Aí foi só aproveitar e surfar até o
talo!
|