O vento deu uma aliviada,
e as ondas pintaram para fazer a alegria da galera no North
Shore, tendo inclusive iniciado o WCT de Pipeline com ondas
de 6 a 8 pés sólidos. Com o vento terral não
tão forte pela manhã, o mar estava uma pista
em vários picos. A ondulação de oeste/norte/oeste
trazia lindos picos para Pipe e Back Door e belas paredes
com rampões em Sunset Beach. Por volta das oito da
manhã já estávamos checando Sunset
para fazermos um free surf nas ladeiras. As séries
beiravam os 6 a 10 pés, porém em algumas ocasiões
apareciam umas de 12 vindas do quadrante oeste. Estacionamos
a barca atrás da torre dos salva-vidas e montamos
o tripé para fazermos a gravação da
session. O mar, com bom tamanho, fez um dos salva-vidas
de plantão perguntar o que os moleques iriam fazer
lá fora com seus “skates”. A princípio
parecia ser um bom dia pra colocar a molecada pra ver as
morras, mas como o mar ainda estava acordando, fiquei um
pouco receoso, principalmente depois do alerta do salva-vidas
dizendo que o mar, apesar de estar baixando, ainda tinha
séries que necessitavam de cuidados. Como disse que
a molecada ia só ficar no canal olhando as ondas,
o cara relaxou, até porque é de praxe a orientação
por parte deles. Remamos na diagonal, e depois da leve arrastada
até Kammielane, chegamos ao inside de Sunset. Como
as ondas ali não estavam muito definidas, dei o toque
na molecada pra se posicionarem próximos à
"bolha" e prestarem atenção nas
séries e na galera do outside para uma possível
disparada de remada caso neguinho remasse acelerado na diagonal.
Aos poucos fui me distanciando para o outside, com aquela
preocupação com os moleques, mas que passou
após o momento em que peguei a primeira onda, pois
no final dela já chequei no inside. Na real, o mar
estava grande pra eles, mas ficando no inside, estava limpeza.
Ícaro resolveu ir mais pro fundo, mas sua 6' 9"
não dava tantas condições para remada
naquelas rampas volumosas. Na ocasião, pegou uma
onda, e diante de sua inexperiência, dei o toque para
ele ficar mais pro inside, pois ali ele iria conseguir pegar
mais. Sidinho e Pedrinho até ameaçaram se
posicionar mais no fundo, mas seus "skates" não
davam a mínima condição para o drop.
Aliás, condição até tinha, mas
só se eles ficassem embaixo do pico, e aí
eu iria ficar bem preocupado, pois os bichinhos são
levinhos e magrinhos, e com a ventania de uns 15 knots,
com certeza sairíam voando no caso de um "late
take off". Depois eles foram mais pro inside e fizeram
alguns drops atrasados, pois ali a onda quebra quase sempre
muito rápido e fica balançada, principalmente
em um dia como hoje cedo, em que o mar estava acertando.
Ian pegou umas no rabinho e disse ter levado o maior "supapo"
em uma maiorzinha que dropou atrasado. "Pô pai,
eu estava indo certinho, mas a bicha balançou e eu
levei a maior vaca." Para os moleques, não foi
uma sessão de muitas ondas, mas saíram felizes
por verem as ondas grandes e terem enfrentado a situação.
Me impressionou Alejo Muniz, Jesse Mendes e Ricardinho da
Guarda, que estavam no outside esperando as ondas embaixo
do pico.Vi alguns drops do Jesse e uns ziguezagues do Ricardinho,
mas a melhor onda foi a do Alejo, quando conseguiu pegar
uma que veio do quadrante norte e emendou com o bowl de
oeste. Só vi ele cavando e depois subindo naquela
"picamba", fazendo uma bonita curva e dirigindo
sua prancha para o inside. Vi muitas ondas também
do Biro, free surf e shaper brasileiro, bom conhecedor de
Sunset. O cara estava sempre bem posicionado e pegou várias.
Achei uma muito boa hoje com direito a um belo tubo no inside.
A prancha estava um pouco pequena para a remada (7 pés),
mas na onda ela estava perfeita. Dei algumas rasgadas, e
quando entrei no inside foi só manter o drive para
sair seco do canudo. Cauê viu de camarote, e quando
eu estava retornando para o outside também vi um
bom drop atrasado dele. A ‘tchurma’ estava fazendo
o racha na filmagem, mas por falta de sorte minha, eu não
estava no exato momento da troca do turno e a galera não
registrou o momento. Pelo menos a molecada guardou um cartão
de um fotógrafo que clicou a seqüência,
e agora vou correr atrás pra tentar ver.
Ontem à tarde rolou um surf muito bom em Rocky Point
e todo mundo surfou bem. Havia uma forte correnteza, mas
quando dava uma aliviada era possível fazer bons
momentos. Os moleques estavam soltos mesmo com as séries
beirando os 6 pés nas maiores. Ian ficou solto na
vala, Sidinho reclamou da remada na corrente, e Cauê,
apesar de ter pêgo umas boas direitas, acabou trincando
sua prancha ao meio. Pedrinho pegou umas ‘fechadeiras’,
mas depois acertou o pé e deu até umas decoladas.
Ícaro pegou alguns tubos em Gaschambres e saiu da
água feliz. Nessa caída estavam a Bruninha
Schimitz, mostrando muita disposição, e também
Marcelo Nunes, que, com uma prancha de bordas acesas, pegou
uns tubos e deu boas rasgadas. O Bobby Martines tava na
água muito veloz e solto, e até Jack Johnson
também aproveitava as boas ondas com seu estilo relaxado.
Na sexta-feira a galera deu uma queda em Pimbols (onda que
quebra na baía de Waimea abaixo dos 15 pés)
com umas séries de até 10 pés, porém
muito demoradas. Essa session com poucas cabeças
foi uma oportunidade também de levar os moleques
para conhecer o pico. De todos, apenas Ícaro pegou
uma onda depois que emprestei minha 9 pés, pois as
pranchas que ele trouxe não tinham o tamanho necessário
pra um drop. Ali, mesmo menor, a rampa necessita de remada.
Nesta session, estava Romeu Bruno, big rider e ex-salva-vidas
no North Shore. Romeu pegou umas boas e estava só
esquentando as pilhas e botando a prancha no pé para
a temporada. Vale ressaltar que o salva-vidas brasileiro
no North Shore, Victor Marçal, também havia
se aproximado da turminha quando íamos entrar na
água. Porém, depois que falei novamente que
a molecada só ia ver o pico do canal, ele também
relaxou. Realmente existe uma grande preocupação
da galera que trabalha nas praias por aqui, e o megafone
era sempre acionado quando turistas desavisados teimavam
em nadar no quebra-coco da baía, que com certeza
já causou muito impasse. A molecada acabou se divertindo
nos jacarés depois que viram as ondas de perto e
encheram o ralo do chuveiro de areia depois que chegaram
em casa. Foi muiiiiiiiiita vaca!
Voltando a Pipe, depois da caída em Sunset deixei
a molecada para ver o maior evento do surf profissional,
e eles passaram o dia inteiro vidrados nas baterias. Inclusive
deixei minha câmera com meu filho, que se divertiu
fazendo uns cliques. Quando cheguei lá pra ver também
algumas baterias, eles deram notícia de tudo o que
rolara. Slater passou em segundo, mesmo arrebentando, pois
Jamie O'Brian simplesmente arrebentou mais. O Peterson e
o Pedrinho haviam passado, e Bruno Santos e Yuri Sodré
também. Ainda vi a bateria de Paulo Moura e um pedaço
da de Marcelo Nunes. Conhecedor do pico, Moura passou para
o terceiro round com tubos regulares, e Nunes, após
ter pêgo um 8, precisava de dois e meio, mas a fome
apertou e eu não vi o final. Pipe e Back Door tinham
umas bombas, mas Off The Wall parecia estar ainda maior.
Alguns atirados, incluindo Kierem Perrow, estavam por lá,
mas o momento power foi quando um australiano chamado Lourie
Tower (não sei se é assim que se escreve o
nome do cara) dropou atrasado em uma ‘morranca’
de 10 pés e despencou lá de cima até
se esparramar na base. Depois de algum tempo, quando emergiu,
só vimos seus amigos, que estavam no outside, remando
a toda velocidade ao encontro do cara, que acabou batendo
contra a bancada de coral e deslocou o ombro. Por sorte,
o jet-ski que fazia a guarda do evento estava no local e
foi lá resgatar o cara. Quando o australiano saiu
na areia, a galera ficou meio chocada, e pelo tamanho da
vaca, a bronca poderia ter sido até pior.
O mar parece que vai dar uma baixadinha amanhã, porém
já tem novo swell para a próxima quinta. Ufa,
agora o negócio começou...
Aloha!
Por Fabio Gouveia
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