A última competição
do WQS do ano encerrou-se ontem na praia de Sunset Beach,
com ondas de até 12 pés de face. O vencedor,
Joel Parkinson, quebrou as morras pra ser carregado por
seus compatriotas até ser coroado no pódio.
Em segundo ficou o sul-africano Jord Smith, grande revelação
do ano, seguido de Andy Irons, que não se achou no
pico, e Fred Patachia em quarto. Neco Padaratz por pouco
não foi finalista, e muita gente achou que ele tivesse
virado o resultado em sua última onda, quando desferiu
boas rasgadas embaixo do lip seguindo até a conexão
com Vals Reef e colocou pra dentro um pequeno tubo. Quase
que ele completa, mas a onda deu uma balançada e
ele acabou caindo. Mesmo assim, acho que merecia ter passado.
Vale ressaltar que Neco havia levado 7 pontos no pé
na bateria das quartas-de-final, e isso também acabou
o prejudicando na semi, tendo em vista que ao tentar virar
na base de uma onda que ele vinha trabalhando bem, acabou
apoiando sua força no machucado e caiu. Com esse
resultado, o catarinense regressou ao WCT, onde já
conta também com Bernardo Pigmeu, Victor Ribas, Léo
Neves, Mineirinho e Dornelles.
Ontem de manhã, antes do evento de Sunset recomeçar,
parecia que ia dar zebra no tamanho das ondas, pois acordamos
de madrugada e o mar não passava dos 3 pés.
Caímos ainda com a luz da lua cheia em Rocky Point,
e à medida que o sol ia raiando, as ondas iam subindo.
A molecada aqui da house fez a festa, e Sidinho se gabou
por ter sido o primeiro na água. Mas isso é
prêmio para a disposição. Todos pegaram
altas ondinhas, com Ícaro soltando manobras fortes
seguido por Pedrinho e Cauê. Já Ian fez sua
melhor caída ao ficar no canal se livrando do crowd
e pagando várias que entravam por ali, pois como
o mar estava subindo, muitas séries passavam batidas
pela galera no line up.
Depois de 3 horas de surf, parada pro rango, e quando retornamos
para a segunda queda o mar já havia subido bastante.
Os relatos eram que o Marcondes Rocha tinha pêgo o
maior tubão em Gaschambres, uma esquerda que entra
batida por Rocky Point e, que se for a certa, com certeza
é tubo. O bicho estava amarradão e pronto
para partir pro Brasil. Foi uma boa despedida.
Lá pela uma e meia da tarde já tinha remado
sem parar por pelo menos uma hora sem achar nenhuma onda,
pois o mar estava subindo e várias séries
fechando. Nestas condições, e tendo em vista
que o evento de Sunset estava rolando, pouquíssimas
cabeças estavam no pico. Um deles era o ex-bicampeão
mundial Shaun Thomson. Aproveitei pra perguntar pra ele
se na década de setenta o crowd era daquele jeito.
Ele foi taxativo ao dizer que no máximo eram aqueles
dez surfistas que estavam ali presentes. E um deles era
o Guigui Dantas, que ao ser perguntado por mim se ele conhecia
o cara ao lado (Shaun), ele acabou dizendo que o magrão
havia rabeado duas ondas dele na cara dura. Eu só
pude dar risada, pois ali havia acabado o possível
brilho do moleque em relação ao ex-campeão.
As ondas não paravam de entrar, e comecei a visualizar
umas esquerdas intermediárias mais "deep".
Talvez fosse ali que o Concon tivesse achado sua onda que
fora tão comentada. Dito e feito: achei três
tubos que valeram a pena e de quebra dei a dica pra um dos
Hobgoods (não consigo distinguir os gêmeos),
que acabara de chegar e não estava achando as ondas.
O cara até achou uma boa direita onde desferiu duas
fortes batidas. A brincadeira estava boa até que
uma série de uns 8 pés plus fechou no horizonte.
Ainda passei pela primeira, mas a segunda já veio
varrendo tudo, e ao mergulhar fundo acabei com os ouvidos
tapados. Estou saindo de uma gripe, e a pressão ferrou
tudo. Fiquei meio desorientado, achando que tinha ferrado
o tímpano. E nesse meio-tempo ainda levei mais duas
ondas no "quengo". A cordinha, que era relativamente
fina e pequena para aquele tamanho de onda, duplicou de
tamanho. Ainda consegui voltar para o outside, e em menos
de 30 segundos já estava pintando uma série
maior ainda no horizonte. Só fiz remar na primeira,
que veio menor, e dei pista, pois o negócio estava
ficando "over" e fui ver a final de Sunset.
Hoje o mar amanheceu grandão e com um vento nordeste
de uns 25 knots. Como estava tudo encarneirado e eu estava
meio ferrado do ouvido, fizemos uma votação
na house e fomos para Waikiki fazer uma brincadeira com
pranchões. Ao passarmos pela Baía de Waimea
vimos uma boa série de uns 10 pés em Pimbals,
mas com certeza em outros picos estavam vindo vagalhões
com cerca de 15 ou mais. Nesta hora, que era já perto
do meio do dia, havia poucas cabeças na água,
do contrário de bem cedo pela manhã, que estava
entupido de gente.
O engraçado foi que ao chegarmos em Waikiki constatamos
que as ondas estava com meio a um pé. Tudo bem que
lá é uma marola danada, mas diante do tamanho
do mar, achamos que íamos pegar ondinhas maiores
por lá. Na real, a direção do swell
não era nenhum pouco boa pra lá. Mesmo assim,
deu pra divertir e dar muitas risadas com os moleques em
cima de um pranchão medindo 12 pés fazendo
Tanden Surf e avacalhando geral nos estilos. A uma onda
de meio pé a cada 10 minutos em média somavam-se
umas 130 pessoas de todas as idades e sexos com seus pranchões.
Era uma confusão danada. Antes que eu entrasse na
água pra bater umas fotinhos, gravei umas cenas muito
hilárias.
O WCT de Pipeline já está com sua janela aberta
e possivelmente começará nos próximos
dias. A previsão é que as ondas continuem
bombando e que o vento diminua para este sábado.
Falow!
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