***Brasil Tour e Super Surf***
Quem manda querer escrever para publicações
surfísticas e ser surfista profissional ao mesmo
tempo? Foi tanta coisa, uma atrás da outra, que não
parei um minuto se quer para poder contar as histórias
de minhas duas últimas semanas. Bom, mas agora desafogou
e estou aqui feito uma britadeira teclando sem parar no
meio da noite.
E esse tal de Brasil Tour tá uma doideira, hein?
Digo doidera porque não sabemos se terá a
última etapa em dezembro. O evento se encontra no
calendário mas falta definir local e patrocinador,
que é o mais $importante$.
Adriano Mineirinho está na dianteira, portanto, se
não tiver a última prova, o cara é
campeão deste circuito, que dará ingresso
ao Super Surf, nosso WCT nacional. Na traseira da dianteira,
estou eu, Fábio Gouveia, com uns ‘duzentin’
atrás do Minera e torcendo para ter a última
prova pra ver se dou outro bote. Digo bote porque nesta
terceira etapa que aconteceu na praia do tombo há
duas semanas, venci virando na última onda quando
todos achavam que já era. Mas é aquela coisa,
né? Quando é para o sujeito se dar bem, tudo
conspira a favor, e foi só esperar a derradeira onda
e dar umas cuts curtição... A imprensa tá
fogo, fazendo aquele sensacionalismo entre eu e Mineirinho.
É aquela pressão. Pelo menos ganhei uma e
veio em um momento bom, pois já tinha uns dois anos
que eu não sentia o ‘chêro’ do
champanhe no pódio. Se bem que essa etapa tinha patrocínio
de cerveja, e levei foi uma ‘espreiada’ nos
‘zóios’ que depois não deu pra
ver mais porra nenhuma. Sim, mas esse evento no Tombo foi
demais, pois deu altas ondas até no sábado.
Peguei uns tubos nos treinos daquela manhã e vi altos
moments da galera, com destaque para um tubão do
Pedra Dornelles. Já na competição,
Stefano Figueiredo arrepiou, e o “Fanta” Fernando
Moura também. Marco Pólo foi outro que havia
sido vice na etapa de Floripa e bateu nas semis nesse. Outro
destaque, mas que deu um azar danado, foi Cristiano Spirro.
No domingo, quando a primeira semifinal estava na água,
entrou um vento ladal irado que fez a organização
parar a bateria após os oito primeiros minutos. O
problema foi que nenhum atleta escutou nada e surfou como
se estivesse valendo até faltar uns nove minutos
para acabar o que seriam os 25 de duração.
Quando a galera descobriu já era tarde, e Spirro,
mesmo tendo arrebentado duas ondas, não contou pontos,
pois havia sido depois do ‘enterrupimento’.
Deu dó, mas não teve jeito de voltar atrás.
Quando a sirene tocou pra recomeçar dos 17 minutos
que restavam, Spirro não achou mais as ondas e foi
pra final na última onda, juntamente com Beto Fernandes,
que tava dando altas rasgadas. ‘Êita’,
já ia me esquecendo do Dunga Neto, que deu uns coices
e ficou em terceiro. O engraçado foi que levei um
puxão de orelha de minha esposa, pois tinha falado
à imprensa que Dunga havia arrebentado e parecia
um jegue dando coice, o que, segundo ela, pegava mal. Só
que em se tratando de um nordestino, isso era um elogio,
e não uma anedota. Jegue dando coice é sinônimo
de arrebentar!
O Brasil Tour passou e o Super Surf chegou.
Já em Saquarema na semana passada, o bicho pegou,
pois tinha Título Brasileiro em jogo e três
caras de peso estavam em uma disputa acirrada: Leo Neves,
Odirley Coutinho e Renato Galvão. Léu foi
primeiro a ser barrado e logo depois Odirley parecia nervoso
ao enfrentar Simão Romão. O ubatubense até
reagiu no finalzinho da disputa, mas o destino falou mais
alto e Simão veio na detrás só dando
batidão. Fez um nove pra dar a vitória de
mão beijada para Renato Galvão, que depois
do título por antecipação, sua estrela
ainda brilhou muito e foi campeão do evento. O “Magão”
Andréas Eduardo é muito surf, e finalmente
vi o cara se dar bem chegando com o vice-campeonato na etapa.
Yuri Sodré estava arrebentando e chegou em terceiro
provando que de Saquá o bicho entende. ‘Vishi’,
esqueci quem foi o outro terceiro colocado! ‘Me sorry’,
mas tô com um sono da bexiga aqui e com preguiça
de procurar na net. Deus queira que o cara não fique
chateado. Fica pra próxima...
Final das contas, fiquei em nono neste evento e subi para
os Top 16. Boiada danada, pois irei cair em uma fase na
frente e ficar mais um dia em casa. ‘Êita’
Paraíba pra gostar que só da toca!
Por Fábio Gouveia
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