Finalmente aterrissei nas
ilhas havaianas mais uma vez. E vou dizer que estou curtindo
até o ar que respiro. Amo isso aqui, e foi difícil
não vir na temporada passada, quando estava machucado
das costas. Na ocasião, lia o livro do Edie Aikau,
e “Mentalização” era meu nome.
Cheguei a remarcar minha vinda três vezes. E, por
fim, não deu; havia perdido a temporada, pois quando
fui melhorar da contusão já estava em cima
do Hang loose Pro em Noronha. Era impressionante como a
leitura do livro me fazia lembrar do Hawaii. Em cada passagem
que era contada, os lugares citados, em muitos deles eu
já tinha estado. Passei a admirar mais o Edie e seus
familiares. E por ter perdido um inverno, curto este até
uma simples remada no canal de um Sunset lagoa. Isso mesmo:
uma lagoa! E com direito a veleiro atracado. Pensei que
só presenciaria uma cena dessas no verão,
mas diante das condições, estava até
engraçado. Cheguei aqui no último sábado
e quase perdi meu vôo saindo de Floripa, pois em dia
pós-WCT (parece até que está sendo
coisa normal!!!), o mar bomba. E bombou tanto naquele dia
que quase perco o vôo de verdade...
Eu, que jurei que não viajaria mais pela American
Airlines por um fato de desrespeito que ocorrera comigo
naquela companhia há alguns anos, diante do perrengue
da Varig, lá estava eu, sentado na poltrona pra ficar
com o "rabo" quadrado de tantas horas de vôo.
E agora, nos trechos internos, tem a lenda de ter que pagar
pra comer. Para os desavisados, é melhor trazer umas
barrinhas de cereal, etc, pois por 4 dólares só
vem salgadinho e biscoitinho. E lembrem-se de que líquido
acima de 75 ml está vetado. E o que for liberado,
como perfumes, remédios, colírios, deve estar
devidamente acomodado dentro de um saquinho transparente
do modelo Zip Bag. Pois é, na hora em que eu fui
embarcar, meus líquidos estavam em um simples saco
plástico transparente. Porém, a oficial do
raio X só me deixou embarcar porque recebi auxílio
de outro passageiro que tinha uma Zip Bag extra. Alguns
exageros, mas tudo em nome da segurança, mesmo que
venha carregada de total falta de privacidade.
Mas chega de ‘blablablá’. Logo estava
no aeroporto de Honolulu, com a parada de lei no Taco Bell,
para depois avistar Haleiwa, no visual da descida na Kamehameha
Highway. A constatação? Flat! Tudo uma piscina.
Lanis, Waimea e Sunset. Com veleiro estacionado...
Hoje, terça-feira, foi dia de semiflat. Porém,
no último "Domingão do Faustão"
rolaram umas ondas boas. Pra não enfrentar o crowd
de Rocky Point, logo de cara sugeri a Pedro Henrique e Marcondes
Rocha (parceiros na “rachada" da House) que tirássemos
a lombra no quintal de casa. Leia-se “esquerdinha
do Turtle Bay”. O visual era lindo, com longas paredes
de uns três pés com faces lisinhas. Corre pra
água e "Concom" (um dos muitos apelidos
de Marcondes) já vinha embolachando a marola de cabo
a rabo. Pedrinho reclamou do ranço da viagem e atribuiu
a isso algumas sobradas, porém ainda surfou pelo
menos umas duas boas. Eu, que na correria pra não
perder o vôo em Floripa, havia deixado pra trás
minha maroleira (já está sendo providenciada),
caí com uma funboard 7'4", no intuito de já
surfar com prancha grande pra minha 6' 2" entrar no
pé quando fosse surfar com ela. Aproveitei a estréia
pra tentar tirar também umas fotinhos da galera e
registrar nosso primeiro surf nesta temporada. Acionei o
"motor drive", que bate seqüência de
três fotos. Mas pequei no clique dos primeiros momentos,
logo as seqüências ficavam sempre retardatárias,
saindo com 1 segundo de atraso. Mesmo assim deu pro primeiro
registro e valeu a caída. Segunda session, fomos
pra batalha em Rocky Point. E já chegamos tomando
esporro do fotógrafo Bruno Lemos, que, na agonia
diante do fechamento da revista Fluir deste mês, foi
logo disparando: “Meu irmão, onde vocês
estavam?”. Boas ondas aqui de manhã e nenhum
brasileiro na água. Caímos. E Pedrinho amou
a vala. Concom também achou umas boas no final, com
direito a uns coices pra "Boi Bandido" nenhum
botar defeito. Eu, mesmo com minha 6' 2", todo enterrado,
consegui mandar um semi-aéreo "saco de areia".
E essa eu mando como homenagem a meu amigo Binho Nunes,
inventor da manobra, e que deverá pintar nas ilhas
em fevereiro, quando o crowd aliviar. Garoto esperto!
Depois deste dia, mais dois dias pequenos de surf e de idas
e vindas entre Town e North Shore. "Mirar" lançamentos
eletrônicos e comprar mantimentos no famoso Costco,
agora está tudo arrumado só esperando o swell
para que o WQS de Haleiwa comece. E pelo jeito vai ser meio
embaçado, devendo rolar na marola. Segundo o renomado
fotógrafo havaiano e expert em previsões do
surf, Paul Cohen "Gordinho", o inverno vai pegar
mesmo só em janeiro, quando grandes ondulações
atingirão a costa com muito sol. Deus queira que
ele esteja certo, mas rezo pra esse mesmo Deus mandar estas
ondulações agora.
Aloha!
Por Fabio Gouveia
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