Máquina x Handshape
Fazendo parte do presente e futuro,a máquina de
shape vem faciliatando a vida de muitos shapers, tanto na
parte de produção quanto na parte de salvar
o desgaste físico. Se João Shilickmann atualmente
faz todas suas pranchas na máquina,o "artezanal"
Havenga insiste em manter a tradição. "Não
gosto muito da máquina e não quiz usar até
o momento, preferi continuar shapeando na mão por
que posso trabalhar mais e passar bem mais vida pra prancha.
Trabalhar com a mão é infinito e as vezes
gosto de demorar fazendo a prancha. Começo a fazer
em um dia e deixo pra dar o acabamento no dia seguinte.
Tiro muitas medidadas de pranchas que vem de fora e muitas
são muito diferentes",conta.
A exemplo do trampo pesado de anos trabalhando com plaina
,isso já deu sinais de desgaste para a saúde
da coluna de João Shilickmann e de vários
outros shapers em volta do globo. Mesmo ciente disso, Havenga
diz que ainda é novo e prefere continuar na mão.
Seu primeiro shape saiu aos treze anos de idade,mas nos
últimos sete anos é que vem trabalhando pesado.
Anteriormente era mais conhecido por suas laminações,
mas após ter retornado de um periodo de seis mezes
trabalhando no Hawaii atualmente vem fazendo bastante pranchas,
estando inclusive fazendo um trabalho com Neco Padaratz
e outros exelentes surfistas da ilha. "Morei seis mezes
no Hawaii,mas foi atravez dos shapes feitos pelo Shenna
{exelente shaper brasileiro que residia no Hawaii e que
faleceu praticando Kite-surf à alguns anos} aqui
no Brasil em toda temporada que ele vinha a Floripa fazer
suas 100 pranchas foi que aprendi bastante. Fiquei muito
amigo do Sheena e uma parada legal que rolava era amizade,pois
hoje em dia os shapers brigam muito uns com os outros. Uns
ficam querendo fazer muitas pranchas,outros poucas e com
ele era diferente, pois ele me dava uma confiãça
que eu não tinha. No Hawaii ele me falava que eu
conseguia fazer as paradas legais e eu achava que não
conseguia. Isso aí foi muito bom, ele me ensinou
muita coisa.E o lance de fazer as pranchas na mão
também herdei dele,pois mesmo usando a máquina
lá no Hawaii,ele presava muito trabalhar o artezanal
como alma do negócio".
O shaper Marcelo Dionízio {MDio} usa bastante a máquina
de shape e diz que o projeto o ajudou na plaina,só
que todos os designs das "masters" são
feitos por ele mesmo à mão ,não chegando
a criar uma prancha no computador,a não ser que seja
uma prancha já testada por um surfista e que tenha
bom funcionamento. Daí essa prancha é trabalhada
dentro do programa do computador."muita gente acha
que esse negócio de máquina vai tirar o feeling
da prancha,mas penso que não, a máquina vai
estar ajudando a plaina do shaper e o mesmo vai ter que
ficar bom nos designs dentro do computador e vai ter que
continuar dando o finish {acabamento} dele,então
aí ainda tem muito trabalho. Tem que tirar os frisos
que a máquina deixa,tem que passar ainda vários
"pads",tacos de lixas,fazer os cocaves e passar
a telinha de borda que vai dar o acabamento final e aquele
"tcham"na prancha.Então tem muito feeling
ainda"relata MDio.
Só para registro,a máquina de shape no inverno
não chega a ser muito usada em Floripa,pois como
tem queda nas encomendas, muitos shapers preferem fazer
a mão. Durante o mês de Agosto, por exemplo,
só foram usinadas vinte pranchas na Magic Lines ,contou
o proprietário Guilherme Almeida,que quando foi perguntado
se ainda existe resistência de shapers em usar a máquina,
relata também que quem tem resistência é
porque nunca viu o negócio funcionando.Guilherme
fabrica pranchas a cerca de dezoito anos e trabalhou em
todas as funções do processo de fabricação.Durante
muito tempo trabalhou para outros fabricantes e foi à
cinco anos que montou seu próprio business quando
em viagem à Portugal teve a ideia de colocar uma
fábrica de shape{uma loja de shape como gosta de
definir},já que haviam muitas fábricas de
laminação e de shape,não."O lance
que eu ví na máquina foi o fato do cara fazer
a prancha do jeito que queria,ja que antigamente os "back
shapers" faziam apenas as cópias das medidadas
basicas como out line e outras medidas sem ter um produto
final identico,ficava apenas uma impresão",conta.
Antes de montar a Magic Lines,Guilherme era o encarregado
das produções das pranchas do Beto Santos
e do Crivella no sul e arrecadou muita experiência
com isto começando a shapear por infuência
deles.
A Magic funciona da seguinte forma;não é qualquer
pessoa que pode chegar por lá com uma prancha embaixo
do braço e pedir uma cópia. Só o cara
que é shaper e que fabrica sua própria prancha
manualamente,ou seja,a peça "master", é
que pode mandar "usinar" um bloco ao preço
de 30 reais."Isso funciona pra que não desgrasse
o mercado.Se não era muito fácil o cara chegar
numa loja ,comprar uma Ricardo Martíns e pedir várias
cópias.Se fisesse isso ia ferrar o mercado e a mim
mesmo",diz Guilherme,que relatou também ter
ralado muito pra chegar aonde chegou,tendo inclusive recebido
elogios do criador da máquina luciano Leão,que
julgou suas instalações como uma das melhores
do mundo e chegou a bater fotos para mostra-las de vitrine.
O Newlton Andrade ,da NAD surfboards, também desenvolveu
um máquina simples que desbasta o bloco da prancha
a oito anos e após um período sem funcionamento
retornou a usala." tive a curiosidade de fazer uma
comparação das curvas das pranchas daquela
época e das atuais.Fiz testes com curvas antigas
usadas nas pranchas do Rafael Backer em uma época
em que ele foi bi-campeão estadual e após
mixar medidas atuais o resultado foi positivo e ele obteve
boas colocações no Brasil tour ano passado
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