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Austrália é longe que só a bexiga!

Rapaz, já tinha até me esquecido como a Austrália era longe! Pense numa jornada até lá. Passei as 2 últimas semanas na terra dos cangurus competindo em dois WQS, Margaret River e NewCastle, e fazendo muitos free surfs. Mais uma vez fui via África do Sul, que saindo de São Paulo até Jonhanesburg, dá umas 9 horas dentro do asa dura. Com 6 horas de chá de aeroporto e mais umas 9 horas de vôo, chega-se a Perth, no oeste australiano. Só que pra chegar até a cidadezinha de Margaret, são mais 3 horas dirigindo tendo que parar pelo menos 2 vezes pra tomar um café expresso com energético, pois só assim dá pra segurar o fuso-horário e prestar mais atenção na base trocada, pois lá a danada da direção é do lado direito do veículo, né? Pense em uma confusão! Chegando ao destino final, me infiltrei na barca que já estava a mil! Os velocistas eram Heitor Pereira, Diego Santos e Junior Farias. Digo que os caras já estavam a mil por causa dos peidos! Pense em uns “cabas” pra soltar bufa pra mandar caco de “c” pra tudo quanto é lado. A galera já solta na competição também e as ondas bombando no pico de Margs. Aquela esquerda, que também rola direita quando o mar está menor, é maravilhosa, e o cearense André Silva pegou até tubo, porém esbarrou na décima sétima posição, igualmente comigo. Evento rolando e sem poder correr as ondas naquele lugar durante a maior parte do dia, a pedida eram os free surfs nas diversas praias da região. Igual a todos os anos, mais uma vez a pedida foi Left Handers, esquerdinha já conhecida dos brasileiros e que pode ser vista em uma sessão só de brasucas no Fábio Fabuloso.Êita! Ó o “caba” fazendo a propaganda do filme! Munido de uma câmera chibata em que o zoom só trabalha quando quer, e, além do mais, sem tripé, gravamos algumas imagens, e as fotos foram, na maioria, provenientes desta. Nas caídas, sempre havia vários brasucas, e a fila era arrumada com Junior Farias, Léo Neves, Heitor, Diego Santos, Izunomê Betero, João Gutemberg, e eu, que na maior parte do tempo, estava gravando a galera. Minha sorte era o Junior Farias, que mesmo com toda a “trepidação”, tinha a boa vontade de gravar a “tchurma” também. Se bem que o “caba” foi melhorando, e quando arrumamos o tripé, passou a mandar ver. Left Handers é uma onda de high peformance, e a galera mandou ver em tudo quanto era manobra, com tubos, rasgadas, batidas e os varials executados por Heitor Pereira. E por falar em Heitor, destaco aqui o macarrão entala-gato que ele fez junto com Diego em um jantar, que teria depois as pegadinhs do Mussão, comediante cearense que faz programa de rádio e deixa a galera de bico rachado de tanto rir. Nestas caídas em Handers, Junior Farias chamou a atenção com seu surf rápido e arisco, como também a consistência de Diego Santos, as batidas descomunais de Léo Neves e os arcos determinantes de Izunomê. Isso sem contar as rasgadas do João Gutemberg, que depois de longo período de contusões, agora volta com tudo. Vishi! Tinha esquecido de Wilson Nora, que era o outro parceiro na barca. Ô bicho figura! Ficou injuriado porque perdeu no campeonato; depois foi direto em uma loja e trocou suas pranchas por um skate longboard irado e várias bugigangas. Depois disso o “caba” estava mais feliz que pinto molhado, tagarelando e se divertindo com os novos bens adquiridos. Na real, essa é a parte dura do tour: perder e tentar manter o bom astral. E isso Nora fez muito bem. Sim, fora o surf que ele fez em Left Handers também, né?
Junta tudo no carro e ruma para Perth para ir até Sydney em vôo de 4 horas madrugada adentro. O visual da passagem da Harbour Bridge deixa a galera acesa e pronta pra parar no primeiro McDonald. Êita café junk! Mas estávamos famintos, e foi o primeiro pico que nós vimos.
Chegando a NewCastle, o “search for the hotel” nos tomou a tarde toda. No final fui resgatado por Neco Padaratz e Diego Rosa, que, juntamente com outro resgatado havaiano, TJ (“Ti Jêy”), compunham uma barca muito engraçada. O gringo, com seu violãozinho havaiano, ukulele, mandava altos acordes, e logo era interrompido pela batida feroz do eletrônico do Neco e da ginga do hip hop do Diego. Mas pode acreditar, tudo estava em harmonia. E ainda tinha Renato Galvão, que só dava risada com a galera.
NewCastle estava bombando, e destaco um free surf irado que fiz com Wilson Nora no canto esquerdo de Mereweder. Vimos um tubo entrar pra dentro do costão, e quando fomos checar não acreditamos na “quadradice” da onda. As pedras brotavam na parede, e alguns australianos pareciam não ter o mínimo medo das danadas. E apesar do nosso não conhecimento do pico, assim mesmo pegamos bons salões. Fiquei cabreiro com um drop atrasado do Nora, pois embaixo de sua prancha estava tudo preto e borbulhando, mas ele completou com maestria e saiu com sorriso na orelha.
No evento, mais uma vez fui mal. Se bem que a falta de sorte me rondou, pois nas baterias que disputei, os caras que estavam atrás de mim viraram na regressiva. Não fiquei puto porque já virei muita bateria assim, né? Hahahahah! Bom, mas tinha um “caba” que foi um “operário exemplar! Trabalhou de segunda a domingo e saiu com um trofeuzão danado. Pois foi. Neco Padaratz correu desde a primeira fase, e depois de onze baterias, arrebentou e venceu a final. Nesta hora eu não estava nem mais lá, pois tinha me picado pra tentar pegar um vôo no sábado de volta para o Brasil, e como acabei pagando o mico de não checar se tinha vôo, tive que ficar dando rolê em Sydney pra só embarcar no domingo. Se bem que o rolê foi demais. A turma era eu, Galvão, Heitor Alves e André Silva. Galvão era o “caba” mais indeciso do mundo pra comprar um didgeridoo, instrumento clássico dos aborígines, nativos australianos. Mas depois de deixar muito funcionário de loja louco, acabou comprando um irado! A comédia era ver o Heitor e o André comprando presentes para as noivas, que variavam de perfumes, blusas com nome “Sydney” e canguruzinhos a muitos outros.
Bem, com tudo que relatei no começo, remamos tudo de volta pra casa. E agora cá estou eu, no fuso horário e teclando estas besteiras já pensando na viagem da próxima semana: França e Escócia. “Água Trincando” será o nome dela.
Por Fábio Gouveia


Na foto acima, Gouveia se entocando em Lefthanders, Australia.
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Fia, Heitor, Galvao e André, batendo um rango no Harbour de Sydney.
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Renatinho Galvão going off . By Fia

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