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Fabinho no Perú aonde acaba de surfar. By Fia
 
 

Vivendo e aprendendo também sobre o corpo

Sempre achei ser um favorecido em termos de contusões, pois apesar de meus 36 anos de idade, sendo 24 de surf, poucas vezes fiquei fora d’água sem me prejudicar tanto em um resultado final de circuito. Muitos caras, comoVictor Ribas, Guilherme Herdy, Armando Daltro, Neco Padaratz, sem contar os gringos, já se prejudicaram com sérias contusões, sendo que Vitinho tardou em um ano sua entrada no WCT devido a uma fratura no pé por volta de 92. Em 91, venci o Arena Surf Masters com uma “bola” no tornozelo devido a uma torção que me deixou capengando em três eventos. Em 94, que poderia ter sido meu melhor ano no circuito mundial e cuja última etapa seria na Austrália, dois dias antes de embarcar para Sidney após o evento de Pipeline, levei oito pontos na canela devido a uma quilhada. Certamente me abalou, pois havia saído do Hawaii na sexta posição e o Coke Classic era de nível duas estrelas, o que daria pontuações extras. Mesmo com a perna bamba, passei a primeira fase até bem, mas na segunda perdi para o local do pico Mark Bannister e, sem força nas pernas, despenquei para a décima-segunda posição em um evento que, se tivesse ido bem, poderia chegar de repente até ao vice-campeonato daquele ano, pois o título já era mais uma vez de 'Carlos Leite'. Tantos anos sem nada sério e 2005 foi um ano que praticamente poderia ter ido por água abaixo se não fosse o presente “divino” de conseguir ser bicampeão brasileiro profissional. Tendo passado por um dedão pentelho que precisaria ter sido engessado mas não foi,no começo do ano, e que me atormentou nas primeiras provas, tive contusão na cervical, o que me deixou três semanas fora d’água. Depois foi o danado do sarampo contraído nas Maldivas, que também me deixou parado por vinte dias. E por último veio uma contusão na lombar, que vem me pentelhando desde agosto, mas ficou pior a partir de 7 de setembro, quando mesmo assim consegui ser vice-campeão da etapa do Super Surf do Sauípe. Deste então, com exceção de uma surf trip pro Peru entre os dias 22 e 25 de setembro em que extrapolei a carcaça, só tenho surfado praticamente umas quinze ondas. Umas cinco em uma caída que dei uma semana antes da bateria do Super Surf de Ubatuba pra testar a contusão, outras cinco nesse evento e mais cinco na primeira fase do WCT que rolou em Imbituba, pois acabei abandonando a fase de repescagem. Uma por não ter tido condições de surf , outra devido à proibição do Doutor Joel Stainman, que, aliás, tem me ajudado bastante e torcido muito pela minha recuperação. Neste final de ano fiquei sem competir o Onbongo Reef Classic em Maresias e as duas últimas etapas do WQS no Hawaii, o que me fez despencar geral no ranking, pois antes destes eventos ocupava a quadragésima-segunda colocação, com plenas chances de me reclassificar para o WCT de 2006, que foi meu plano número-1 no início deste ano. Hoje, dia 27 de novembro, sentado em frente ao meu computador tartaruga, Paciência é o meu nome. Nunca me vi em uma situação dessas. Mas de tudo tem que se tirar proveito. E é o que estou fazendo: conhecendo a vida, conhecendo o meu corpo e vivendo, graças a Deus, porque nada vale nesse mundo a não ser a saúde. Contusãozinha ruim de cicatrizar é esse tal de disco ‘erniado’, e apesar da minha não ser das piores e sem urgência de operação até o momento..., ô bichinho embaçado!!! Venho me recuperando a passos de tartaruga (igual ao meu computador), e nessas horas é preciso meditar pra manter a cabeça no lugar. Com 36 anos não dá mais pra passar por cima da contusão simplesmente se metendo em sessões de surf. Podemos citar como exemplo clássico uma forte gripe, que a maioria dos surfistas cura no mar e que deixa qualquer vovô querendo puxar a orelha dizendo: “Menino, quer morrer, danado?”.A ficha caiu em minhas três tentativas irresponsáveis de surfar citadas acima, e hoje estou me segurando. Só subo na prancha quando melhorar. O disco ‘erniado’ em si não enche o saco aparentemente, pois o que me tira das atividades é o tal do ciático. A inflamação pressiona os nervos, e esses enviam para as minhocas da cabeça o sinal que volta em forma de “choque”. Pense em um ‘caba’ dando um pulo na hora de um espirro! Pois qualquer contração que faça pressão no disco, uma fisgada acontece. E na hora do “barro”? Dá até pra inventar uma piada, pois se o ‘caba’ estiver com prisão de ventre, pode-se dizer que “tá com cú-comedo”... Hahahah!
Pra tentar melhorar dessa novela, já tomei duas infiltrações de cortisona na coluna. Na primeira foi feito um bloqueio do hiato sacral (pense num nome psicodélico), e se eu não tivesse forçado a barra antes do prazo proposto pelo médico, tentando surfar na bateria do super surf de Itamambuca, penso que provavelmente já estaria bom.
Duas semanas depois recorri a outra infiltração, só que dessa vez foi direto no sacro (não no “saco”), mas não funcionou bexiga nenhuma. Pense num ‘caba’ tomando uma injeção daquelas que mulher grávida toma na base do “espinhaço” pra ter menino. Na real não vi nada, por estar anestesiado, mas quando acordei do procedimento, não sentia era nada. Nem o ‘pintcho’, nem o ‘boga’. Pense num sujeito agoniado só em pensar que poderia ter problema no “Bráulio”... Até a hora que o efeito anestésico passou.
Bom, mas desde que tentei surfar no WCT, venho investindo forte na hidroterapia, RPG, acupuntura e injeções de água marítima localizada. A medicina chinesa já me ajudou em várias ocasiões, e a água marinha é pra mim novidade a ser comprovada, mas que talvez esteja ajudando no processo. Já a RPG e a hidro, estou fazendo com empolgação e aprendendo muito sobre o corpo. Os alongamentos na piscina são extremamente suaves, e é aí que está a minha maior melhora, que é justamente nos movimentos alongados. Com a RPG estou corrigindo postura viciada e criando espaço para os discos, propósito principal para o meu problema. Diz a lenda que depois das sessões o ‘caba’ cresce em até dois centímetros! Ainda não medi, mas nada mal se eu subir para 1.64 metros… Hahahaha!
Fora a função das coisas, pra melhorar meu problema tenho escrito os textos corriqueiros para algumas publicações surfisticas e filmando e fotografando meus moleques e amigos deles. Para o meu não desespero total, aqui no sul o mar tem estado devagar, com exceção de ontem, em que as marolas de até um metro estavam bastante alinhadas e respirei duas vezes pra não me descontrolar e ir correndo buscar minha prancha.
De todos os fatos que aconteceram, o Hawaii é o que está me dando a maior adrenalina e angústia, pois desde 88 que vou todos os anos. Fico com água na boca vendo as fotos da temporada. Não consigo me ver um ano longe do North Shore, e minha luta agora é melhorar para tentar chegar lá antes do fim do ano, pois mesmo não tendo ido para as competições, preciso fazer as fotos e filmagens naquela Hollywood do Surf para os patrocinadores e, é lógico, treinar em ondas de responsa. Porque por mais que já esteja com várias temporadas na cabeça, ainda tenho muito o que aprender por lá.
Aloha!
Por Fábio Gouveia

Gouveia,com a galera no Supersurf de Itamambuca 2005 By Fia
 
  Igor Gouveia em cutback no fim de tarde. By Fia  
 
Guto 'bigodão' na da série. By Fia
 
     
  Igor Gouveia entubando no surf matinal em Floripa . By Fia  
     
 
     
  Lucas acelerando .By Fia  
 
     
  Luis rasgando forte By Fia  
 
 
  Manhã em Floripa perfeito. By Fia  
 
 
  Qualquer surfista iria surfar até se esgotar numa onda dessas no Perú.. By Fia  
 
 
 
     
 
 
 
     
 
 
 
 
 
 
     
 
 
 
     
 
 
 
     
 
 
 
     
 
 
 
     
 
 
 
 
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