Clique e Amplie a foto

Fia pega o bonde andando, ou melhor, o barco navegando nas Ilhas Maldivas..

Em uma tarde onde dava um bode maravilhoso após o almoço, fui despertado por minha esposa com uma ligação do videomaker Rafael Melin. Ao primeiro momento, ainda sonolento, fiquei surpreso: “‘Ôxe’ Melin, já voltasse de Maldivas?”. Que nada Fia, tô aqui no barco, tá flat, mas tem um swell pra entrar. Quando tu vem? Dentro de três dias estarei aí. Ok, então estaremos no aeroporto para lhe buscar. Uma vez acordado, os pensamentos vieram à tona e a mordomia de ter falado com Rafael direto de algum line up paradisíaco já me deixou ouriçado. Devido a uma contusão necessitada de confirmação de melhora desembarquei em Male, capital das Maldivas, quatro dias depois. E pensei em um negócio engraçado, pois normalmente desembarcamos e pegamos um táxi ou alugamos um carro para irmos para um destino final normal, mas em se tratando de surf trip nas Maldivas, descemos diretamente do avião para um barco, independentemente de se estar em um dos vários resorts luxuosos ou em um iate mesmo.
Surpreso por não ver meus amigos no aeroporto e apenas o encarregado do traslado, logo veio à tona de que o swell estava presente e dava até pra arriscar a certeza devido à ondulação que estava chacoalhando o cais do “aeroporto-porto” de Male. Com um Dhoni {embarcação local} lento, que o apelidei de “ninguém merece”, levei cerca de uma hora para chegar ao local onde o Hum-Medhu cinco estava ancorado. Quando passava por fora do line up de Jail’s, já avistava a galera jogando água nas manobras; logo vi que Sebastian Rojas, o fotógrafo da barca, e Rafael Melin estavam registrando tudo antes que a bela luz do final de tarde desaparecesse. Paulo Kid, ex-surfista profissional da pranchinha, e que agora atua mais no longboard, foi quem me recepcionou. Aí nos atiramos para aproveitar o resto da ondulação presente. Isso mesmo, resto, pois os dois dias que atrasei minha viagem foram justamente os do swell que Melin relatara. Mas o final de tarde ainda foi proveitoso. Surfei várias ondas boas e logo de cara deu para perceber a desenvoltura da galera da barca, que já estava moendo as ondas. Entre eles, um ‘pirraio’ de apenas 11 anos! Caramba, quanta mordomia, pois com onze anos eu ainda nem imaginava surfar, e agora um moleque de 11 já se encontrava quebrando nas ondas de Jail’s. Pois é, Sidinho estava aproveitando a brincadeira se divertindo muito nas longas direitas de até um metro, só que devido ao seu tamanho elas ficavam ainda maiores, o que me fazia pirar com aquelas cenas. Já os “pirraios” grandes como Danilo Grillo, Marcondes Rocha, Heitor Pereira, Júnior Farias e Eric de Sousa, filho da lenda viva Rico de Sousa, deram aula no pico. Era um tal de aéreo rodando, rabetadas e coices pra jegue nenhum botar defeito. Simplificando, os caras estavam à vontade. Enquanto estava no line up, observava na ilha de Jail’s os pequenos estragos do tsunami, pois o muro que ficava em volta desta parte frontal da ilha se encontrava no chão. E aí as histórias foram muitas, pois apesar do nível do mar ter apenas subido de três a quatro pés, já foi o suficiente para fazer um estrago rasteiro nas ilhas, incluindo Lohifushi e Dhonveli Beach, mais conhecida entre os surfistas como Tari Village ou Ilha de Pasta. A água que subiu acabou inundando muitos quartos, detonando móveis, equipamentos eletrônicos e, é claro, toda a instalação elétrica. Das ilhas mais atingidas estava a do Club Med, que fica próxima ao aeroporto e até hoje se encontra fechada. Bom, mas não estou aqui pra relatar tragédias passadas e sim o barco que peguei andando. Primeiro jantar em conjunto foram mil estórias com direito a vídeo das imagens do fim de tarde e as do swell que se passou.
Êita lugarzinho privilegiado no planeta, tudo quanto é onda por aqui é uma pista, em um raio de uns quatro quilômetros {não arrisco chutar as milhas náuticas porque não sei} tem oito ondas clássicas, quatro direitas e quatro esquerdas. E por falar em esquerdas, eram essas que Danilo Grillo estava atrás, pois a barca só havia surfado direitas desde então. Como acabara de chegar, optei por surfar nas ondas de Colas no dia seguinte, pois mesmo com o swell mais baixo, esta direita que rola na ilha da fábrica da Coca-Cola local {daí o nome do pico}ainda estava funcionando. Enquanto os regulares ficaram nas direitas, os goofies, liderados por Grillo, partiram para as esquerdas; e o que eu só via do outro lado do canal era neguinho voando por cima das ondas de Chiken’s, uma esquerda muito longa e potente. Depois, quando vi as imagens gravadas por Marcos, outro videomaker na barca e parceiro de Melin, constatei os vôos que estava vendo a distância: Grillo e Marcondes deram show. Mas antes disso, eles acabaram nos encontrando nas direitas de Colas, e aí as pontadas de backside impressionaram muito. Colas é uma onda com duas sessões, e talvez a mais tubular do atol do norte. Em dias grandes passados peguei os melhores expressos neste pico, mas com as marolas ressaltavam-se as manobras aéreas de Heitor, Júnior e Eric. Não acreditava na facilidade que os caras tinham em decolar e completar com maestria, e as que não eram completadas já faziam a alegria do Sebastian pelos clics aproveitados. Dentre os voadores, o mais certeiro era Heitor Pereira, mas o Júnior e o Eric também não ficavam atrás, apenas completaram menos vezes. Toda aquela cena me instigava muito, e mesmo sem conseguir completar tais aéreos com desenvoltura, mandei uns mirrados, mas com certeza emplaquei na mente o que fazer pra consegui-los depois de ter visto aquele show. Fico imaginando na cabeça do Sidinho ficar vendo os professores dando a aula. Mas na real ele acabava botando em prática também várias manobras, tendo inclusive completado alguns vôos. Apenas dois dias com onda desde minha chegada, mas com cinco desde a chegada do resto da galera. E seguiu-se um dia semiflat. Foi aí que aproveitamos quatro longboards trazidos por Paulo Kid e fomos “brincar” de surf nas direitas de Sultans. Apenas dois pezinhos, mas fiz o mais longo bico em toda minha vida, pois a prancha que o kid me emprestou era muito propícia para isto. Já o professor do long vinha batendo, rasgando e acelerando, completando as ondas até a última sessão, incluindo aí vários cutbacks twist com perfeição. Melin, por sua vez, abandonou a câmera e também pegou um dos longs pra brincar e se saiu bem. Mas o que ele desenrola mesmo, além das imagens, é a pranchinha, pois o bicho, apesar de meio travadinho, leva jeito. Vishi, e o Marcos também, pois além de chegar às Maldivas antes de todos e ter pêgo o swell do mês, era só interromper as filmagens para estar dentro d'água, sem contar no seu desfile, mostrando uma bela foto que havia adquirido de um fotógrafo amigo em Sultans no maior dos dias. Nesta session de Sultans, o Sidinho abandonou seu ‘sk8’, uma cinco pés do Ricardo Martins, pegou uma fish round pin monoquilha do Júnior Farias e foi pra água. O moleque se divertia, mas depois peguei emprestada a prancha pra dar uma testada e constatei que a quilha estava posicionada muito pra trás da rabeta. Logo, o que era pra ser uma prancha super solta por ser 5’8 e muito larga, estava bem travadinha, fruto da mexida que Paulo Kid deu, pois quando perguntei pro Júnior Farias, ele disse que só usava a prancha com a quilha bem na frente. Pena que não vi o Júnior em ação com ela, pois como ele estava tentando participar do evento WQS que estava por vir, não queria se complicar e perder o pé das pranchas normais, que, aliás, eram uns foguetes de epóxi shapeadas por Mário Firmino. Se o Heitor Pereira foi o professor dos aéreos, o Júnior Faria foi o cara que pegou a onda da viagem. A proeza foi em Jail’s, um tubo duplo muito bem esticado e completado com velocidade em um dia que o vento terral era fortíssimo. Júnior também impressionou por surfar rápido e versátil, coisa que não faltou também para Eric de Sousa, mas que com certeza ficou marcado pelos cutbacks precisos e redondos.
Se alguém pode falar em um “armário” surfando, este é o Marcondes Rocha. De backside o cara veio dando umas bolachas na cara das ondas que os pingos corriam com medo, tamanha a força aplicada. Marcondes se encontra com o físico avantajado, e qualquer pisada mais forte na tábua a água vai longe. Foi assim nas sessões de Chiken’s e Colas. E por falar em Colas, deu pra constatar a evolução do surf local e o aumento de adeptos, pois em todas as nossas caídas nesta direita sempre havia cerca de sete moleques, que apelidei de aracnídeos, tal o estilo com as pernas bem abertas. Mas os caras estavam se empenhando, e com certeza prestando atenção na galera. Tanto foi que vi alguns deles tentando voar e até indo mais veloz do que o normal.
Um forte vento não favorável teimou em ficar no pedaço e acabou segurando a ondulação pro dia final da galera nas Maldivas. Decidimos partir para Male e ficar ancorados próximos ao aeroporto. Uma vez do lado da capital, resolvemos partir para as compras, e, claro, passar em uma internet café, já que nos resorts a conexão mais barata era em torno de cinco dólares por 30 minutos. Os dias no barco foram muito divertidos e não tinha tempo ruim pra galera. Sempre com piadas, o bordão do Pânico na TV “Pedala Robinho” era o mais usado. E encaixou feito uma luva para o Sidinho, que era o mascote. Era só o moleque passar que a galera falava: “Pedala Sidinho, pedala...” Eram muitas risadas. Cada um com sua mania. E o Eric estava sempre falando de uma tal de Sâmara. Falava que tinha um buraco fundo embaixo do barco e que a Sâmara estava por lá pra levar neguinho pro buraco. Não havia assistido a este filme e ficava voando, mas neguinho que estava há dias no barco já não agüentava mais a tal da Sâmara. O videogame rolava solto e quando conseguíamos um intervalo enfiávamos os Normais e a Grande Família no DVD. Aí com certeza eram muitas risadas. Pra coroar a noite de despedida da galera, Dj Danilo ‘Agrilêra’ Grillo soltou um eletrônico que acabou arrastando até um dos tripulantes do barco pra “quebradeira”. O cara que pulava muito também ao lado de Sebastian Rojas e Eric de Sousa, não cansava de falar: “‘Caráia’!”.
A barca da Hang partiu, mas fiquei mais uma semana para participar do WQS O’Neill Pro. No evento, apenas passei uma bateria. E o bom foi depois, pois o mar subiu e o surf foi clássico. Do barco passei a me hospedar na ilha de Pasta Point, antiga Tari Village, agora chamada Dhoveli Beach. Rachei quarto com Guilherme Herdy e Peterson Rosa, mas como os caras também foram mal no evento, deram pista pra casa e fiquei sozinho. Pena que Pasta só funcionou no último dia, mas mesmo assim a session foi demais. Nos outros dias o surf em Sultans foi épico, com paredes longas e expressos no inside. Só eu de brasileiro, pois o resto da galera que ainda estava nas ilhas se encontrava em Jail’s, pico que em outras caídas surfei e consegui retratar, mesmo que meia boca com minha maquininha aquática e sem zoom, Trekinho, Pedro Henrique, Mandinho, Jihad, entre outros surfistas estrangeiros que também curtiam o swell.



     
  A bandeira da Hangloose. By Fia  
 
Clique e Amplie a foto
Colas perfeito de dentro dágua. By Fia
     
Clique e Amplie a foto
 
  Eric de Souza virando na base de Colas By Fia  
 
Clique e Amplie a foto
     
  Fia, Heitor, Marcus e Arshen após o surf. By Fia  
 
Galeria de Fotos
 
 
Clique Aqui
 
Clique e Amplie a foto
 
 
Arshen, o Capitão do Zodiac . By Fia
 
 
 
 
     
 
 
 
 

 

 

 
 
 
 
 
© 2005 Surf Co. - Hang Loose. Todos os direitos reservados