Perna Francesa
Esse nome "perna" me soa engraçado, mas
na real é o apelido dado pelos surfistas quando os
eventos do circuito mundial passam por algum lugar do mundo
com mais de uma prova. "Perna" também me
lembra Chico Science, por causa daquela música em
que um refrão diz: "Não tinha medo da
perna cabeluda!". Mas isso é outra história.
E falando em França, cabeluda mesmo não é
nem a perna, e sim o sovaco das ‘mulé’
de lá. Se bem que essa perna francesa foi "cabeluda"
também, pois neguinho tava quebrado nas valas! Rapaz,
nunca vi uns WQSs tão disputados. E os brazucas estavam
arrebentando. Apenas não foi desta vez que vencemos
mais provas no Velho Continente. Fora Renato Galvão,
que havia ganhado o WQS da Inglaterra, acho que a melhor
colocação na França foi de James Santos
em Anglet, onde parou na semifinal. Mas independentemente
de resultados, Marcelo Nunes estava bem; Odirley Coutinho,
Dornelles, Yuri Sodré, Leo Neves, Trekinho e mais
um bocado de neguinho também, incluindo o meu conterrâneo
Jano Belo e os ‘pirraios’ Leandro Bastos, Heitor
e Jean da Silva.
Ao contrário do ano passado, onde até o evento
de Anglet não teve seu final pela falta de ondas,
esse ano bombou. Foram três swells durante as três
semanas que passei lá, e os eventos não tiveram
maiores problemas. Se bem que a galera que organiza as etapas
já tá mais que ligada na previsão das
ondas e joga baterias em até dois bancos distintos
quando a ondulação ameaça baixar. Santa
Internet!
Mas quando isso acontece, o julgamento cai um pouco, pois
os juízes têm que se desdobrar. E alguns, com
pouca experiência, assumem grandes responsabilidades.
Com três eventos na seqüência, deu pra
perceber coisas meio graves no julgamento, no qual alguns
foram beneficiados e outros prejudicados, o que complica
suas carreiras se precisarem de algum ponto que não
foi dado de maneira coerente e que pudesse valer a classificação
em uma bateria. Acredito mais em cansaço (devido
à grande jornada de trabalho) do que erro de alguns
jurados. Mas que o nome de algumas estrelas do esporte pesa
bastante na hora de soltarem as notas, disso ninguém
duvida.
A liderança do WQS, que era de Neco Padaratz até
pouco tempo atrás, passou a ser do sul-africano Greg
Emslie, que com duas finais na "perna", assumiu
a ponta. Com mais três provas importantes para o término
da temporada e sendo a próxima em Floripa, Neco tem
todas as chances de acelerar de novo e tentar seu bicampeonato,
já que foi vencedor no ano passado.
A galera da Hang Loose andou bem em alguns momentos, mas
nada que nos elevasse muito para as boas colocações.
Danilo e Marcondes tiveram boas disputas; eu também.
Mas baterias bonitas que vi foram entre Pigmeu e Mineirinho,
que depois de seu título mundial Junior, está
sendo bem falado e reconhecido pela mídia internacional.
Nesse tour teve muita comédia, e fora um e outro
que a toda hora circulavam pelas areias para ver as tetas
desnudas, a gracinha da praia era mesmo o Marcondes Rocha.
Com um ‘pisante’ de estampa tigresa, o cara
estava lançando moda. Se essa coisa pega...
A surpresa de dois dos eventos foi a participação
do tricampeão mundial Tom Curren. O cara estava arrebentando
desde a primeira fase de triagem. Eu sou suspeito pra falar,
pois sou fã incondicional do ‘homi’.
Mas o danado tava surfando era bonito. Foi bem verdade que
em alguns momentos os jurados sacudiram suas notas lá
para o alto, mas quando o cara acertava o pé... Tom
surfou com uma 6'3" Al Merrick round pin. Quando era
uma onda pequena, a prancha não andava muito, mas
quando passava do meio metro, a bicha virava um foguete.
Durante o último evento rolou um tag team em homenagem
a Curren, e o time brasileiro foi composto por mim, Herdy,
Marcelo Nunes e Paulo Moura. Quase vencemos a parada, mas
o time do Tom acabou ganhando por um ponto e meio. Eu havia
até sido convidado pelo próprio para participar
de seu time, mas como Herdy, nosso capitão, já
havia colocado meu nome no time tupiniquim - e não
podia deixar de defender meu país -, agradeci com
um sorriso que ia de um canto a outro da "chapa".
Agora em setembrão começam os eventos no Brasa.Vai
ter meio mundo de campeonato. É Brasil Tour, eventos
estaduais, Super Surf, Super trials, WQS, WCT... Boa hora
pra ‘tchurma’ botar o pé na tábua
e melhorar no ranking.
‘Falow’!
Por Fábio Gouveia
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