Desde 1988, quando pisei pela
primeira vez nas ilhas havaianas, esta foi a temporada mais
relâmpago que passei. Os 23 dias que fiquei por lá
me deixaram com gostinho de quero mais. Estava com planos
de ir com a família para passar dois meses, período
que acho ideal por temporada, porém, entre outras
coisas, tive que retornar para divulgar o documentário
sobre minha carreira, que está em cartaz nos cinemas
de algumas das principais capitais do país. Semana
que vem me encontrarei em uma maratona que nunca enfrentei
antes. A começar por Florianópolis no próximo
dia 10, cada dia estarei em uma capital e irei a Curitiba,
Porto Alegre, Recife, João Pessoa e Salvador, respectivamente.
Mas isso será história pra outros textos e
vamos retornar às ondas do North Shore.
Pela primeira vez acabei não surfando com meus queridos
barcos 9' e 10' pés, pois nos dias citados o swell
não passou dos 10 ,12 pés, e como também
estava na função dos eventos WQS, o maior
dia coincidiu com o evento de Haleiwa e eu estava competindo.
Por outro lado esta temporada foi também a que mais
fiquei voltado para as competições, pois com
o tal período de espera e por ter competido em rounds
anteriores aos que eu entrava nos anos passados, foram muitas
as baterias que disputei, tomando assim boa parte de meu
tempo, pois muitas vezes mesmo que as ondas estivessem clássicas,
tinha que ficar na concentração e guardar
energia.
Se o mar não ficou grande no mês que se passou,
alguns dias foram clássicos e sendo assim deu pra
fazer a cabeça, aliás, por pior que seja a
temporada no período que o sujeito passe por lá,
sempre vale à pena, pois em termos de constância
lá é o melhor lugar do mundo.
No evento de Sunset, último desta temporada, acabei
ficando nas oitavas-de- final e fiquei com a sensação
de ter remado e não ter passado arrebentação,
pois tinha condições de me reclassificar para
o WCT 2005, mas como não bati na final, acabei ficando
na trigésima sexta posição no ranking
final, o que de certa forma foi até bom, pois havia
chegado ao Hawaii na quadragésima nona posição
e com a semifinal que fiz em Haleiwa subi importantes posições.
Digo importantes pelo fato de melhorar minha pré-classificação
para o próximo ano, pois deverei entrar seguramente
no round 96 e em muitos eventos possivelmente entrarei no
evento principal. Pra quem não sabe, o evento principal
dos WQS'S são compostos pelos 16 primeiros do ranking
do WCT e os 10 primeiros do WQS, mas como nunca um evento
conta com a participação maciça dos
atletas, os que vêm atrás acabam se beneficiando.
Estava muito confiante nesta temporada e talvez deva ter
sido a que mais estava tranqüilo e surfando bem nas
baterias, mas infelizmente a minha esperança acabou
e terei que seguir o meu objetivo (que já estava
traçado), que era descanso em 2004 sem me preocupar
muito com ranking e 2005 meter as caras. Acho que tenho
plenas chances de regressar ao WCT, e só dependerá
de mim. Como estou na pilha acho que conseguirei.
Neco Padaratz fez as quartas-de-final em Sunset e sagrou-se
bicampeão do WQS. O Philip MacDonald, que foi vice,
ficou uns mil pontos atrás do catarinense. As novidades
são o retorno do Renan Rocha ao WCT mais que merecidamente,
e a possível estréia de Bernardo Pigmeu. Renan
é o décimo oitavo e Pig, o vigésimo.
Mas como tem uma galera que está na frente deles
e que também está se classificando pelo WCT,
se o desfecho final for assim vai ser muito positivo. O
Mandinho, que está atrás do Pig, está
pendurado, porém com chances matemáticas de
conseguir se classificar, e estou aqui numa torcida danada,
pois o cara é muito guerreiro, correu os dois últimos
anos sem patrocínio. E isso em um mundo de moedas
supervalorizadas em relação ao nosso Real,
é fogo!
Meu "triário" do Hawaii fica por aqui,
mas as viagens ao redor do planeta continuam, e é
só ficar ligado que semanalmente terá coisa
nova na coluna do Fia pra neguinho ‘bizoiá’.
Alohas e Mahalos,
FG-tuíí-kexêta-Gouveia.
Aê!
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