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Fábio Gouveia - 03/05/2012

“Triário” do Marrocos" - texto na íntegra!


Fia no mercado de Agadir



Pra “variar”, trip começando com atraso de voo e extravio de pranchas. Assim chegamos a nossa base na cidadezinha de Tagazout, próximo a Agadir, cidade em que desembarcamos.


Uma vez no African Extrem Surf Camp, as boas vindas do nosso amigo Marroquino Younes Arabab e do fotografo Ricardo Borgh e sua namorada Joyce Grisotto, a quem iria filmar nossa barca. Namorada? Isso é casamento, pois fazem mais de dois anos que o casal roda o mundo atrás de registro de ação em ondas e exóticas imagens. Em ano de La Niña, no Marrocos os swells não estavam lá tão constantes. Ou pelo menos na região de Tagazout, onde planejávamos pegar os tubos no “Slabs” próximo, pois como de costume, o pico bomba quando todos os outros estão menores. Mas o vento não era o ideal e o surf “dezentrevador” acabou sendo em Boiler’s, uma onda também relativamente mais constante que as demais na região.

Em meu segundo ano consecutivo no Marrocos, havia aceitado o convite de Ricardo Borghi para explorarmos a região sul do país, ou seja, o Saara ocidental. Juntos, Thiago Camarão, Jean da Silva e William Cardoso. Marco Giorgi também veio na mesma batita, afinal, ele também havia participado da trip no ano anterior e queria conhecer e explorar o resto do litoral, já sabendo o que nos esperava. Porem a agonia já batia, pois algumas pranchas ainda teimavam em não aparecer.


Aproveitando a tentativa de surfar um pico a sul de Agadir, partimos para o aeroporto que ficava no caminho e, para nossa surpresa, as pranchas já estavam ali. Acomodamos todas no teto da “viatura” e chegamos ao paradisíaco pico de Tizinit. Havia visto uma bela foto do Borghi ano passado, ondas e visual de vários barquinhos azuis. Infelizmente não havia boas ondas e a opção acabou sendo mais uma vez, Boiler’s. Mais uma hora e meia na volta e a corrida contra o por do sol começava. Ainda chegamos a tempo de pegarmos uns 40 minutos de onda de até um metrinho de face. Deu pra fazer a cabeça e apreciar um por do sol maravilhoso, típico dos fins de tardes Marroquino.


Terceiro dia e começa aqui o meu “triário, ou seja, um diário de três em três dias, porque escrever todo dia, cansado depois do surf e de tanto rodar de carro, ninguém merece. As 5 da matina acordamos e foi aquele alvoroço no África Extrem. Bota mala, prancha, mais um casaco por cima do outro devido ao frio e fomos embora pra não pegar o transito da cidade de Agadir. A trip começava de verdade e nosso destino como disse, era o deserto. Nossa primeira parada era Sidi Ifni, mas antes íamos “bizoiar” um pico cujo o lendário Jeff Hackman tinha uma casa.

Passamos por um beach break terral e bombando alguns bons tubos. Na ancia, ficamos na indecisão, mas queríamos point breaks, afinal, estávamos no paraízo destes. Ao chegar ao tal pico do Jeff Hackman, as direitas estavam meio devagar e meio em cima da pedra, precisava de uma maré mais propícia e uma ondulação um pouquinho maior. Em minutos já fomos indagando, porque deixamos pra trás o beach break tubular? Partimos então para Sidi Ifni, capital da província do Saara na época de colônia espanhola de 1883 a 1969,segundo nosso guia local Oscar, que gostava de sempre dar todas as coordenadas e dicas dos lugares. Aliás, a trip era assim, em cada canto que chegássemos, teríamos uma base local, com um guia conhecedor dos picos para facilitar nossas vidas e aumentar nossas chances de ótimos resultados.


Dito e feito, ao chegarmos, boas ondas em Ifni, aliás, agora o África Extrem também teria o apoio do Ifni Surf Camp. A baia de Ifni contava com duas ondas, um point break de direitas com pedras arredondadas e uma esquerda do outro lado do canal apelidada de Shore Break Salama. Mas a onda era outro point de esquerda e partimos para fazermos algumas manóbras antes que a maré melhorasse para as direitas. A onda estava divertida,Jean botava seu surf em dia,Marco dando pontadas de back e William Jogando bastante água. Eu havia decidido cair com uma fish 5’4 e 1/2 travada de meu filho Igor para esta viagem e vinha só no surf redondo, porem muito divertido.

Camarão fazia um surf arredio, mas logo foi o primeiro a partir para as direitas. Como havíamos combinado de irmos todos juntos para facilitar o trampo da Joyce e do Borghi, aos poucos fomos passando pro outro lado após vermos um “camarão voador” dando altos rasantes. O bicho havia tirado da capa um 5’4 Xanadú e a pranchinha era que nem uma fecha em seus pés. Fazia tempo que não via uma coisa tão rápida.


Todos fomos nos empolgando e constatamos que as ondas estavam bem divertidas. Não havia tubos, mas longas paredes faziam nossa festa. Jean continuou com o base lip e volta e meia tentava um Rodeo Clow. Willian vinha jorrando água e Marco mandando também vários aéreos tal como “camaras”. Minha fishizinha quadri tava uma delicia e aproveitava pra dar uns 360’s estrelinha, aqueles derrapando,”das antas”. Em um deles, caí meio que dentro do tubinho fazendo um “head deap”. Ops, old school de novo.


Almoço pronto e delicioso no mercado de Sidi Ifni . Sabe oque? Prato típico,Tagine! Mas depois amarguramos uma espera de umas 4 horas pra conseguirmos uma liberação para adentrarmos uma área oficial no deserto, onde nossa barca tinha o destino. Rodaríamos mais de 700 quilômetros Saara adentro depois dos já 300 percorridos. Por algum motivo, nosso guia Younes não conseguiu arrumar a documentação a tempo e decidimos dormir no Ifni surf camp.

Turma totalmente gente boa! Do proprietário muitíssimo atencioso Oscar Rigati à seus demais assistentes, Imad, Abdel e Rachid. O surf seguinte foi ótimo, mesmo estilo do dia anterior. Paredes longas, muitas manóbras aéreas “Camaronezas e Marco Giorgeanas”, Willian e Jean também saltando o pé nas rasgadas.


Desgarrando rabetas e mostrando suas quilhas. Os surfistas locais amarradões com nossa presença e nos divertimos muito dentro d’água. Outros surfistas estrangeiros, com menos dotes surfisticos e de ferias, talvez estivessem meio cabreiros com a velocidade da turma, pois muitos deles não passavam as ondas e certas horas alguns constrangimentos foram criados devido uma ou outra rabeada esporádica. Mas eram muitas ondas vindo, series e mais series, ou seja, sobrou pra todos e a diversão foi geral.


Imad El Halawi era um goofie que divertia todos na água e sua vasta cabeleira foi comparada a de Giorgi, logo já arrumou um parentesco fictício, primo marroquino do “uruguaio- brasileño”. Após o almoço, partida para o deserto e tentaríamos chegar em Dakhla{conhecida mais para Kite e Wind, porem com costa recortada facilitando também o surf liso},com paradas em picos exóticos no meio do caminho. E haja chão! Nosso guia master ,Younes Arabab, teve um imprevisto familiar e teve de retornar para Agadir .

Logo Oscar seguiu conosco na viagem e para este trecho tínhamos duas Pajeiros 4x4, já que trilhas esburacadas teriam de ser feitas e não queríamos imprevistos. Nos sentíamos em um rally. O frio intenso era despertado quando abríamos a janela para que os gazes dos garotos fossem eliminados. Coitado do Paraíba aqui. Poderia até ter comido uns chocolates também, um pote de leite em pó para tentar uma revanche ou uma contribuição, porem pensei bem e resolvi não me estragar. A certa altura fui obrigado a trocar de carro com o mascote do África Extrem, Ibrahim Habib Alah. O moleque era o sangue bom em pessoa. Vasta cabeleira galega branca ,também fora apelidado de cordeirinho. Em um dos muitos pontos de paragem por policiais em nosso caminho, o moleque retornou a mim dizendo que não aguentou dividir a viagem com Giorgi, Jean, Camarão e William. Coitado do moleque!


Tarde da noite chegamos a uma cidade depois de 4 horas ou mais de estrada. Mal pude dormir pensando nos picos que nos esperava. A tendência era que pegássemos altas ondas em uma baia com um point de direita e um de esquerda. Nossa, todos nos dormimos pouco para acordamos ainda escuro, pois queríamos estar ali para o terral, já que a previsão era de que o vento entrasse por volta das 9.30. O visual ao chegarmos era paradisíaco, incrível! Porem as ondas não haviam subido muito e nem estava como nos nossos sonhos. Bom, pulamos pra água antes do vento entrar. Nesse pico já estávamos em pleno deserto, cenário rochoso e seco, porem um frio de “bixiga”. William foi o primeiro a cair e decidiu pelas esquerdas, já que mais curta, parecia mais cavada. Entrei logo em seguida e tal como Willian , consegui achar algumas. Mas tubo mesmo, não deu. Oscar nos acompanhou quando também Ricardo Borghi fazia sua primeira queda aquática.


As ondas que pareciam boas onde nos proporcionaram boas batidas de back e rasgadas, começaram a piorar e ao vermos Camarão e Giorgi indo para as direitas, remamos juntos passando o canal juntamente com Borghi. Ali mais aéreos de Thiago Camarão e Marco. Como disse, o pico era paradisíaco e meio inóspito aos meus olhos nunca vistos. Fiquei imaginando aquilo ali bombando, deveria ser inesquecível,mas infelizmente, não estava. O divertimento rolou e se fosse no Brasil passaríamos o dia inteiro dentro d’água, mas decidimos sair depois de uma sessão curta. Enquanto saboreávamos a melhor laranja do mundo{melhor do que as Laranjas Bahia importada,vendidas no Brasil} ,Oscar encontra um pescador local que cuida de uma casinha no pico .


Se tratava de um alojamento de um abonado free surfer marroquino. Pedindo encarecidamente para não filmarmos e fotografarmos a edificação, acompanhou Oscar , Borghi, Joyce e Jean , que havia decidido não surfar para ficar registrando também a session, para mostrar-lhes outro secret spot. Sim, pessoal, não posso revelar o nome desses picos, a única dica é Saara , Sul do país. Mas tal como todos, também continuo gostando do desconhecido e para isso, devemos atender também ao pescador que, mesmo não surfando, sabe bem doque se trata. A turma veio com boas notícias e o vento que parecia apertar, se manteve calmo.

Mas preferimos partir pro almoço. Ao voltarmos a tarde, o vento tava estragando as condições e mesmo querendo um surf, preferimos guardar as energias pro dia seguinte. A rotina seguiu-se , mas o mar baixou. Surfamos um bom período, muitas manobras nesse outro secret e mais uma vez a imaginação de como não deveria ser aquilo ali realmente bombando. Corderirinho surfou conosco depois de ter nos filmado com a câmera do Jean. O vento apertou e após o surf, reunião.

Em Dakhla, segundo Younes havia nos relatado ao telefone, teria previsão de ventos fortíssimos e o swell estava se formando melhor para o lado oposto, ou seja, pro norte. Abortamos a ideia de seguirmos adiante e decidimos dar meia volta e seguir rumo a Safi, direita mais famosa do Marrocos. Depois do rango e ao entardecer, pista rumo a Sidi Ifni, pois a previsão pra lá também estava melhor. O visual da estrada tava de filme, por do sol lilás alaranjado nos fez parar pra fotografar uma placa de alerta a Camelos. Uma cidade marrom surgia ao fundo. Ô lugar bonito!


Já em Sidi Ifni tarde da noite, a notícia foi que haviam dado altas ondas durante o dia. Oque se confirmou também no dia seguinte. Jean agora munido de muitos equipamentos de ponta, sacou sua GO pro pra filmar a turma dentro d’água, pois queria também fazer um material diferente. Cada hora era um com a câmera na mão e rabeados, iam atrás gravando a ação.


As imagens ficaram demais ,os caras pareciam umas crianças as olhando após a session, que também foi revezada na filmagem de fora para termos a chance de duplos ângulos junto com a Joyce que se encontrava em outro plano. Aliás, esta session e a seguinte foram em ângulos triplos, alem de um quarto que eram fotos vindas da “metralhadora” do Borghi. Como as condições estavam muito boas, permanecemos por mais um dia, afinal, adoramos Ifni e sua hospitalidade vinda dos surfistas locais.

Mar muito divertido mais uma vez, turma com GO Pro na água e Jean consegue capturar um tubo meu, até então, um dos raros da barca. No out sido foi uma gritaria só, pois as características de Ifni são mais as belas e longas paredes, cujo algumas vezes chegava a proporcionar oito ou mais manobras, dependia só de perna.

O mais impressionante e imprevisível na barca até o momento era Camarão. Nunca vi tanto aéreo. Giorgio também dava muitos ao ponto de o local Imad relatar que aqueles eram aéreos de “pescados”. Fiquei sem saber as referencias, mas deveria ser aos pulos de peixes, que alias, comemos aos montões. Deliciosos! Dava gosto de ver a turma arrebentando e apenas me fazia pensar em Willian e Thiago no WT, pois ambos quase conseguiam suas vagas para esta temporada. Mas do jeito que vão, em breve deve se concretizar.

Jean já teve muitos bons resultados e adoro ver seu surf de linha, uma perfeição. Podíamos ver isso também nas imagens após as sessions. Cordeirinho também surfou muito bem, mostrando que ainda com pouca idade{20 anos}, pode evoluir bastante, principalmente se tratando das ondas de sua terra. Younes acabara de chegar de Agadir e foi pra água, porem uma dor de dente o levou ao dentista e ao seu regresso, partimos pra Agadir e posteriormente,Tagazout.


Oscar gostou da turma e deixou seus parceiros mais uma vez tocando o Ifni Camp e seguiu conosco. Sorte nossa, pois no meio do caminho nos mostrou as belezas dos arcos naturais nas rochas de Legzira. Que cenário! Em Tagazout, que aliás estava flat, ainda arriscamos tentar encontrar mais uma vez tubos no “Slabs” que havíamos surfado ano passado. Nada feito, o vento estava ruim de novo.


O dia foi pra relaxamento e partida rumo a Safi, pois o swell iria começar a entrar naquela região no fim do dia. No meio do caminho a previsão se confirmou tal como relatou o conhecedor Younes. Esse merece uma capítulo a parte, pois é um dos caras mais comedias e boa gente que já conheci. Com ele as risadas da barca eram garantidas, porem a dor de dente o estava prejudicando, ao ponto de deixa-lo mais devagar nas ondas devido a sonolência provocada por anti-inflamatórios. Mesmo assim, ao chegarmos a região de Essaouira sua felicidade se mostrava a medida que avistávamos as linhas entrando em Cap Sim.

Estrada crítica e com passagem permitida apenas com 4x4, deixamos o veículo pequeno que foi substituído pela outra 4x4 que estávamos no deserto, em uma vila próxima. Imaginem nove pessoas com a maior parte das bagagens e pranchas em um único carro passando em meio a atoleiros, barrancos e pedras pontudas! A Pajero véia era feroz. No fim da linha as ondulações verdes e alinhadas iam aumentado. Entramos em sequencia de um por um na água e as series iam sendo surfadas. Um senhor fazia um surf de long bem soul.

Outro um pouco mais moço, era estiloso em sua monoquilha. Porem a medida que íamos entrando na água ele parecia não gostar muito, ou pelo menos, não se contentava em esperar por suas ondas já que tinha facilidade em pela por estar de pranchão. Mais outros dois locais surfavam e se divertiam ao ver a turma voando no pico. As series só foram aumentando, mas incrivelmente as rabeadas também. Neste pico muito mais por parte dos outros e principalmente o long boarder ,que era cool no surfing style ,doque pela turma de nossa barca.

Até mesmo Younes e Oscar deram as suas, mas estes claro,os reais locais, ou seja, the real marrocan’s. Engraçado foi ver que no fim de tarde o mar foi descraudeando e a as ondas já tinham uns 6 pés de face. Nego congelado, cansado e só olhando aos ainda poucos na água desfrutarem de um momento mais tranquilo. De qualquer forma, em cima do cliff todos se entenderam e viram que em uma próxima vez, poderiam agir de uma forma mais apasiguada. Regressemos a vila, remontamos o outro carro e partimos pra Safi, onde mesmo com swell não sendo grande, poderíamos estrear naquele que dizem ser a melhor onda do Marrocos.


Eu particularmente estava doido pra surfar lá. Uns diziam que o swell não ia valer a pena, outros diziam que de repente poderia ser uma boa já que muitos achavam que poderia ser fraco. Mesmo pensando e sabendo em que o pico que estávamos iria estar clássico no dia seguinte, fomos com tudo. Depois de umas 3 horas de estrada, começamos a entrar na cidade de Safi com um forte cheiro de cimento ou algo parecido, que na real,vinham das fabricas que faziam nossa chegada lembrar de um cruzamento em Cubatão. Para nossa surpresa e descanso,o hotel que pernoitaríamos era muito aconchegante. O mesmo de propriedade do surfista local Mehdi Serguini, muitíssimo simpático também, todo decorado em cerâmica marroquina. Aliás, Safi é conhecida pelo fosfato e também pela cerâmica.

A família de Mehdi, comandava a fabrica mais importante da cidade, logo a decoração do hotel era um arraso. Ao raiar do sol, subo ao topo do hotel pra ver se avistava as longas direitas de Safi ao norte e logo após constatar que haviam ondas, me admirei ao encontrar com a esposa de Silvio Mankuzi. Logo atrás de “Bia”,veio o “Mauka” dizendo; “noooooooosa” meu, como esse mundo é pequeno, que surpresa! Com quem estás aí? Mauka, não se assuste, mas estamos só em 5 e mais dois nativos do centrosul do Marrocos. Meu Deus, não acredito!

Como irei pegar ondas em meio a 5 profissionais ávidos por ondas? Caímos na risada e disse a ele que seria um ótimo dia para gravação de seu programa, já que acabara de voltar de uma trip de kite snow na Noruega com passagem pela Irlanda e esquentada de corpo no menos frio Marrocos. Café ligeiro e deliciosos , partimos em caravana pra Safi. O visual do cliff era de linhas entrando. Ainda com poucas cabeças na água, as series pareciam demoradas. Queria logo era ter caído ali, mas segundo o local Mehdi, poderíamos surfar sozinhos em um pico próximo as fabricas, mais ao sul. A real é que na nossa chegada, constatamos que as ondas apesar de boas estavam um pouco cheias e rapidamente retornamos a Safi, dez minutinhos dalí. O resultado de nosso embaço foi mais cabeças na água e surpresa ao percebermos que havia um evento de surf local, que segundo Mehdi, não era oficial e logo poderíamos surfar. Ufa, menos mau. Mesmo craudeado, as ondas entravam e tinha surf pra todos, porem parecia não sermos tão bem vindos assim, pois uma certa rabeação começou a rolar, mesmo todos respeitando e procurando surfar em sua vez.

Outros surfistas de outras nacionalidades também estavam presentes, então não eram só brasileiros . A manhã foi passando e muitas ondas foram surfadas. Mankusi aproveitava para gravar com sua GO Pro no capacete e deve ter registrado belas imagens ,já que pegou uma onda bonita da série. Peguei duas que acabaram sobrando mais ao fundo e infelizmente , fui rabeado no meio dela, caso contrario, teria finalizado a bicha lá na “baixa da égua”! Willian optou por ficar mais ao inside, mesmo assim ainda fazia três manobras por onda. Em uma delas completou um aéreo “no grab”. Vi Marco acelerando em várias e, pela velocidade, também deve ter acertado seus momentos. Jean disse não ter aproveitado a session, mas vi duas ondas suas de qualidade. Já Camarão, mais uma vez levantou gritaria ao completar um aéreo com giro completo. Só vi nego dizendo,”helicopter”! Ao completar a manobra, foi conferir se Joyce havia gravado e o positivo o tranquilizou. Se o swell não estava do jeito que queríamos para Safi, valeu pra conhecer a onda. Mas, pista para a onda anterior.

De volta a estrada e o fim de tarde estava muito bom! Pulei das pedras mais ao point e fui logo tendo a sorte de pegar a série bem longe dos demais. Passei por todos manobrando suave em minha 5’4 e ½, quadri quilhas. Aliás, surfei com essa prancha quase que a trip inteira, mesmo quando as ondas estavam muito grandes pra ela. Borgui fotografando da água, via a ação bem de perto e nesta session Joyce deve ter pago todos os pecados, pois o feixo da luz do sol ficava justamento em alinhamento com sua câmera. Mas era um ângulo muito bonito.


A turma, vinha rabiscando, todos praticamente imprimindo o mesmo surf, William jogando água e abusando das rasgadas, tal como Giorgi, que saltava um aéreo aqui e outro ali. Jean era só passeio, suave mas não menos radical, é que o cara tem uma linha bonita mesmo. Camarão vinha acelerando e dando também ótimas rasgadas, mas em qualquer oportunidade e também na falta delas, tome-lhe decolagem. Younes e Oscar também se divertiam e só saíram da água quando o sol havia se posto. Coisa linda! A volta até o vilarejo foi punk, pois alem de toda nossa tralha e as nove cabeças na Pajero tal como na investida anterior a Safi,demos carona a um casal cujo haviam perdido a chave do carro. Então éramos onze! Inacreditavelmente chegamos com tudo funcionando. O pernoite foi ali próximo, no vilarejo de Sidi Kaouki, região de Essaouira. Hotelzinho em que ficamos era muito charmoso e o sono sem pressa de acordar no dia seguinte, foi profundo. Mas acordamos cedo e o café no terraço só esquentou quando os raios de luz bateram.

O mar havia baixado e um local de Tanger{norte do Marrocos} que passava temporada ali ,nos deu o reporte do pico que surfamos no dia anterior .Como o mar havia baixado,aceleramos o café pra checarmos mais um secret spot. Muito simpático tal como Younes e Oscar, Max estava amarradão em mostrar as ondas de seu país. Feliz também ficou quando demonstrei interesse em comprar óleos de Argan para minha esposa que trabalha com óleos essenciais e aromaterapia. Max me levou em uma cooperativa onde manualmente o mais puro óleo era confeccionado. E por falar em Argan, ríamos muito ao passarmos nas rodovias e alguns pés haviam cabras se alimentando.

Os animais pareciam mais felinos , todos pendurados. Taí, um pé de Cabras! Rumando por sul, nosso ultimo surfari em Essaoira. Ralamos até chegar ao secret, pois mais uma vez a estrada era apenas pro nosso 4x4. Nego pendurado na Pajero e rodamos 12 kilometros em marcha lenta. Na decida rente a um desfiladeiro, direitas longas lá em baixo. Só linhas correndo. Mas ao chegarmos perto, já havia um vento ladal e o swell realmente havia perdido força.

Ficamos curtido o visual, aproveitando pra batermos retratos e não demorou muito pra Thiago e William caírem no inside da onda, já que no out side elas estavam extensas, porem, cheias. A marolagem rendeu bons aéreos, Borghi em um angulo lateral, fazia belas fotografias com a rocha de fundo. Um senhor pescador de idade, apareceu com belas conchas para vender. Fomos presenteados por Oscar com algumas, sem duvida muito belas. “Regalos” marroquinos. A subida de volta foi punk, parecia que a Pajero véia não ia aguentar o rojão, mas a bicha subiu com tudo.


Nos despedimos de Max e retornamos a nossa base, África Extrem Surf Camp. No dia seguinte acordamos na “madruga” a fim de tentarmos a ultima vez a sorte no Slabs. O vento estava perfeito, mas o swell de 2 pés não fez a galera ter paciência pra esperar uma melhor hora da maré. De qualquer forma, mesmo que rolassem alguns tubinhos, 5 cabeças ali já seria um crowd. Não pegamos os tubos que imaginávamos na trip, mas foram dias intensos de muitas manobras por ondas, oque com certeza, valeu muito a pena e a galera estava retornando pra casa afiada.


Finalizamos o ultimo dia no mercado de Agadir para comprar cerâmicas, tapetes, temperos e muitas coisitas mais. Pra nossa sorte, Oscar e Younes nos ajudaram nos preços, pois se fossemos apenas como turistões solitários, teríamos pago muito mais pelas mercadorias. Mesmo assim, os comerciantes ficaram muito felizes quando passamos em suas tendas, afinal,a barganha mais do que tudo ali,faz parte dos negócios. E as risadas eram muitas,ou seja,melhor coisa para um final de trip,todo mundo amarradão.
Shukram Marrocos!


Escrito por: Fábio Gouveia - FIA
 
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