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]Surf cuture art music photo
Fabio Gouveia - 25/08/2012

México “Escondido”, fervilhando




Ainda no Brasil, tentando me infiltrar na barca armada por Eduardo Fernandes, li uma reportagem no Surfline que me foi passada pelo fotógrafo Clemente Coutinho onde havia uma entrevista de Cezar Ramires, surfista local, que relatava sobre a cobrança para se captar imagens na região de Salina Cruz. Ficamos apreensivos, mas já nos preparando para tal, pois gastos extras iriam rolar. Em minha inacreditável primeira vez no México, estava ansioso para ver Puerto Escondido, nossa primeira parada. Igualmente ou muito mais ansiosos, estavam os grommets Dôdo e Gabriel Farias, ambos pertencentes a nova safra de surfistas de Maracaípe, Porto De Galinhas, com 13 e 16 anos respectivamente. Aliás, a barca se resumiu aos surfistas pernambucanos, pois contou com a presença também de Alexandre Ferraz e Luel Felipe.


Naquele fim de tarde, os 4 pés mexidos de onda já mostrava a força do Pacífico naquela área, pois mesmo ao vacarmos nas menores, o rebuliço no espumeiro já era grande. E foi isso que vimos no dia seguinte, ondas realmente potentes. O mar amanheceu clean, com series de 4 ,6 pés. Uma pista! No entanto a temporada parecia estar começando, pois alguns surfistas brasileiros que estavam ali havia algum tempo, relatavam que as ondas fechavam mais que o normal. Parecia ter muita areia ,que aliado a maré enchente no período da manhã,logo demasiados back washes atrapalhavam algumas ondas. Mas este dia estava o bicho, pelo menos para marinheiros de primeira viagem. O que não era o caso de Eduardo Fernandes, mais conhecido como “Rato”. Lembram dos extintos programas Surf Adventures? Do primeiro filme Surf Adventures? Pronto, o próprio. Inclusive os brasileiros que o viram em Puerto, foram logo perguntando, cadê o “sapatinho”? Após competir durante muito tempo e ter tido ótimos resultados tanto na categoria amadora quanto profissional, Rato foi um dos primeiros a embarcar nessa de free surf no Brasil, logo virou figura carimbada no Surf Adventures. Alexandre Ferraz ,vem de umas duas gerações posteriores a do Rato,aprendeu a pegar ondas nos potentes reefs pernambucanos e hoje segue investindo na carreira de free surf. Tendo passado 4 meses na ultima temporada havaiana,Ferraz,estava dropando atrasado e indo fundo nos barrels. Luel Felipe já venceu o prêmio Grennish na temporada retrasada com uma bomba na Cacimba do Padre. Em Puerto ,Luel estava solto, despencando em momentos cascudos. Não a toa foi quebrando logo sua primeira prancha. E falando em pranchas quebradas, já tinha escutado falar que ali existiam os caras que melhor reparavam pranchas partidas ao meio. Verdade verdadeira, o local Roberto , entregou a prancha do Luel nova em folha,e no dia seguinte.


Com o buchicho da cobrança de taxas para fotógrafos rolando nos sites de internet e nas próprias comunidades praianas do país,tomamos nossa primeira dura em Puerto Escondido. Ao sair de minha segunda session matinal,Clemente Coutinho que se encontrava na beira da praia,relatara que um fotografo local veio questionar seu trabalho dizendo que estrangeiros sempre vinham,faziam fotos de todos e atrapalhavam as vendas de fotos dos fotógrafos locais. Depois que passei por Clemente,caminhando rumo ao nosso hotel, encontrei 4 surfistas locais emparedados,dentre eles o fotografo que havia falado com Clemente. Os cumprimentei com um” buenos dias” e mal pude me apresentar quando já comecei a escutar sobre os relatos de estrangeiros,fotógrafos,pessoas que vinham ao local e que não compravam as fotos,que profissionais não compravam as fotos,que quando vínhamos fotografar e filmar,não fazíamos com os locais,que as revistas não publicavam fotos e nem saiam vídeos com os locais,etc. Tentei tranquiliza-los de que eu não fazia parte daquele,que sempre gostei e aprendi a troca de amizade, de parceria, favores, etc. e que ali filmaríamos e fotografaríamos sim, todos. Minha explicação pareceu aceita,embora tenha dito ao fotografo que compraria suas fotos ao final da viagem. O engraçado foi que após contar meu relato para o Clemente, a justificativa dele foi justamente o contrário da minha, pois ele havia dito que estava ali para fotografar nossa barca, e nada mais. O que segundo ele,foi o que tranquilizou o fotografo local. Diante disso, ficamos sem entender,ou melhor,acho que ali existiam um empasse,embora estivéssemos ali para colher nosso material,porem atentos a qualquer um que mostrasse boas performances,caso de surfistas locais como Oscar Mocada e estrangeiros como o Big Rider Greg Long, do Francês Juan Duru,etc. Neste mesmo dia,tanto Gabriel quanto Dodô, surfaram boas ondas,apesar de apreensivos. Mas dalí,no período da tarde,foram conhecer lá Punta e voltaram maravilhados. No dia seguinte o mar baixou,no entanto,não demorou a subir,a final,o que Greg Long estaria fazendo ali se o mar não prometesse? Outra presença notada foi da também casca grossa havaiana Keala Kenelly,que chegara para o swell. Ao amanhecer,o barulho das ondas que havia durante a noite ,se confirmou. Analisa o mar daqui, dalí e pista pra água com as maiores pranchas. Long pega uma senhora esquerda no Pipeline Mexicano, tubão. Talvez uns 10 pés de face. Sim,o mar estava de 6 a 8 com series maiores. Keala passa de colete com boias, tal como um dos hospedes do nosso hotel,que só surfava com uma 9’6 vermelhona.

Luel já se encontrava na água e pegou uma esquerda onde botou pra dentro de back side sem as mãos. Rato com sua Go Pro acoplada ao bico,gravou alguns salões. Alexandre com sua camiseta amarela proporcionou belos momentos dentro dos tubos capturados por Clemente Countinho. Aliás, trabalhar dentro d’água ali não é tão fácil, pois de tempos em tempos ,fortes correntezas nos tirava do pico e, aliado ao crowd,dava trabalho clicar todos da barca. Neste dia não me conectei com nosso fotografo,mas consegui uma bela foto de fora d’água do fotografo local Angel Salinas,como também do gringo Jeff Munson,que clicou o mesmo momento em ângulo diferente. A onda era da série,peguei no meio da correnteza e botei pra dentro . Mas não saí,um lip que era bem expeço,fechou-se ao final. Valeu o visual. Mais um integrante de nossa barca e que havia decidido viajar aos 45 do segundo tempo tal como Luel,era o shaper pernambucano Julio Marques. Experiente, JM faz as pranchinhas do Douglas,ou seja do boy Dodô. Julio entrou com sua 7 pés,porem antes de chegar ao fundo,tomou-lhe uma grande série no “quengo” e o leash partiu-se facilmente. Aliás,muitos ali não usavam leash,pois esse fator levaria as pranchas a partirem mais facilmente. Mas eu preferi sempre cair de leash,e leash grosso! Preferia arriscar quebrar a prancha,mas pelo menos tinha um toquinho perto caso isso acontecesse. E aconteceu, no meu segundo dia. Boiei cerca de uma hora e meia e quando peguei a onda já no desespero,joguei por baixo do tubo que ia se fechar . Após o puxão na perna, só veio um pedaço. E pedaço esse que nada adiantava tendo em vista a forte turbulência de Puerto. Na real,o melhor ali é estar bem preparado fisicamente e se virar no nado. E se quiser, pode-se usar um coletinho. Sei que esse não era o problema de Silvia Nabuco,brasileira big rider esforçada que acabara de retornar do evento XXL na “Califa” ,direto pra Puerto. Acho que silvinha era tri atleta,nadadora e os cambaus ,antes de entrar um pouco tarde para o mundo das ondas.Logo apenas aliou seu porte físico a sua coragem de remar. Mesmo em se tratando de Puerto,totalmente diferente das ondas como Waimea e Sunset{Não conheço Jaws nem Maverik’s},por exemplo. Com o mar bombando e o vento maral soprando,contratamos o salva vidas local ,Celestino. Na folga de seu ofício, nos levou a um paradisíaco pico a cerca de duas horas ao norte.


Visual de Puerto Escondido



Estrada e passeio de barco em um santuário ecológico fez parte da empreitada. Que lugar belo! Muitas garças e outros pássaros exóticos foram avistados. Passavamos pertinho sem que eles se assustassem. Ao chegarmos ao pico,já dava pra ver as direitas correndo de uma ponta,passando por trás de um pier. Em meio ao sol rachando, fomos caminhando pela vila,com vários restaurantes até nos instalarmos em um dos últimos na extensa faixa de areia,até porque,o ângulo ali ficaria mais legal para Clemente fazer as fotos. Diante das direitas longas ,alguns partiram pro surf e outros decidiram almoçar primeiro,pois também revezaríamos nas filmagens. Rato ,Luel e Xandi Ferraz entram rápido e sigo logo depois que observei umas algumas ondas surfadas por cada. Longas paredes e sessões de tubos desfilavam no momento que chegava ao pico. Momento esse que me encontrei sozinho e desnorteado,pois havia uma corrente e não sabia qual seria o posicionamento correto. Por sorte a onda veio em minha direção e fui embora,manobrando bastante direita abaixo. A onda foi muito longa e quando vi a turma remando forte contra a correnteza,decidi sair da água e fazer a caminha no retorno. Nesse momento também vejo mais algumas ondas dos amigos,belas rasgadas de todos. Quando olho em direção ao restaurante,Clemente e Gabriel fizeram sinais de negativo,ou seja,disseram que haviam levado uma dura e que só poderíamos filmar se pagássemos 800 dólares. Sem querer perder a motivação, aproveitei o embalo da caminhada entrei pra pegar mais algumas . Chegando ao out side,vejo uma bela onda de Celestino,nosso guia. O cara surfava com uma fish quadri quilhas e voava nas sessões. Disse-lhe que fomos impedidos de fotografar e iria ficar difícil porque aquela nossa ida até ali tinha esse propósito. Quando retornei a praia novamente,encontrei Clemente conversando com Tim William. Assim se apresentou o ex- juiz da Asp ,que hoje proprietário de pousada em ali no pico e casado com uma nativa de Puerto Escondido, havia segundo Clemente,pedido educadamente que para não filmarmos,ou seja,caso o fizéssemos,precisaríamos pagar a taxa de 800 dólares. Ali criou-se um ligeiro mal estar entre alguns nativos ,principalmente os proprietários do rústico restaurante,que não entendiam muito bem a proibição ,seguido da tal taxa. Quando Celestino saiu da água,foi conversar com o ex Juiz e logo retornou com a boa notícia de que poderíamos documentar a session,salvo não divulgaríamos o local,que aliás,já é bem conhecido pelos viajantes surfistas ao país. A essas alturas,outro cinegrafista foi também impedido de realizar suas tarefas. Se tratava do vídeo maker que acompanhava Joan Duru e o galeguinho seu amigo.


No entanto o guia chamado Arturo, que os levara até o pico foi também tirar satisfações e um ligeiro bate boca aconteceu. Ao final,agora era a esposa do Tim que veio falar conosco e explicar mais uma vez toda a burocracia por trás da cobrança . A história era a mesma,profissionais chagavam ali e iam embora sem deixar nada e pra isso,eles cobraria a tal taxa. Dinheiro esse que seria repassado para a comunidade,incluindo escolas e serviços médicos. A causa era nobre,no entanto não nos parecia um negócio muito formalizado,ou seja,não vi papeis ou recibos para dar-nos garantias de que realmente o dinheiro seria usado para tal. Mesmo sem querer nos meter no estatuo da recente associação criada para arrecadar o tal fundo ,por se tratar de área de um santuário ecológico, demos a dica sobre Fernando de Noronha,onde se paga uma taxa de preservação ambiental. Poderiam destinar uma tenda com a cobrança para todos os visitantes que ali chegassem,logo o controle seria mais organizado ,não existiriam problemas e a arrecadação a longo prazo seria maior. Passado a conversa e a liberação para filmarmos, Clemente já havia perdido o astral,pois o melhor momento do surf havia sido o da manhã. Mesmo assim,ainda filmou algumas ondas,mas poderíamos mesmo era ter feito um ótimo material fotográfico,pois a turma na segunda queda se soltou e foi muito surf. Dodô colou junto a pedra do point e vinha rabiscando ligeiramente as paredes. Assim também o fez Julio Marques. Já eu o Rato,Ferraz ,Gabriel e Luel,ficamos na segunda sessão,que estava um pouco craudeada,porem bastante tubular. Ficamos ali até o entardecer,quando as pressas,fomos chamados por Celestino,pois o “voadeira” teria de partir ainda sobe pelo menos a última luz. Que visual magnífico o caminho de volta! Santo seja aquele Santuário.

Puerto não ficou gigante,mas também não baixava,era bomba todo dia . No surf da manhã machuquei meu ante braço quando rabeado pelo “careca de rabióla” com sua gun 9’6. Aquele que entrava de colete. O cara pegou a bomba do dia,quando eu estava entrando no mar. A onda tinha 10 pés de face. O bicho dropou confortável,porem não botou no trilho do tubo e foi reto. Mas pra mim essa foi a cena do dia,fiz aquela foto tradicional de Puerto em meu “imaginário”. Mas depois da rabeada,não iria fazer questão de mostrá-lo. A onda era menor e eu que não tinha mais prancha grande,estava de 6’1. Não sei se o cara não me viu,ou se não acreditou que eu fosse completar o drope. Só sei que eu estava dentro do tubo na hora em que ele desceu reto com aquele barcão vermelho em minha frente. Quando joguei pra cima do tubo pra não bater,caí com o braço aberto e senti aquela enorme pontada. Daí em diante,ferrou minha força pra encarar a força de Puerto.

 Quando chegamos ao México,ficamos naquele dilema,aproveitar o primeiro ou o segundo swell nas famosas longas e tubulares direitas? Naquela tarde,partimos rumo ao conhecimento de Barra de La Cruz antes de nos instalarmos na região de Huatulco,pois havíamos fechado uma boat trip. Ao nos aproximarmos do vilarejo,várias pousadinhas aconchegantes iam surgindo ao longo do caminho e logo depois,uma cancela com a cobrança de taxa de $25.00 {pesos} . Mas logo depois,aquele visual do pico com direitas correndo ao final da ladeira. Famintos,alguns de nós decidimos saborear aquele peixe fresquinho e delicioso. Enquanto rasgava,intercalava com filmagens da galera. Luel,que iria voltar pra Puerto para embarcar para o QS Prime de Saquarema no dia seguinte, entrou rapidamente na água e simplesmente arrebentou suas primeiras ondas. Fiquei surpreso quando após poucos minutos ele saíra da água com cara de emburrado,quando perguntei,qual foi,bateu a fome? Que nada,um local ali me deu a maior dura ! Respondeu. “o bicho chegou pra mim e perguntou se eu era profissional. Como eu disse que sim, aí ele disse que eu tinha de dar minha prancha pra ele. Quando expliquei que não podia, que só estava com uma prancha naquele momento ,ele me mandou sair da água,disse que eu não podia surfar”. Mesmo com essa única prancha.,Luel relatou que poderia até ter deixado,caso a abordagem do nativo tivesse sido educadamente,ou seja,sem ameaças. Depois que Luel saiu da água e ao conversar com dono do restaurante,foram chamar conselheiros locais,pois havíamos pagado a taxa de $ 25.00 para adentrarmos em Barra e estávamos consumindo no restaurante. O Local foi chamado em terra e Luel voltou ao surf. E mesmo sob ligeiras ameaças de outros,o pernambucano conseguiu completar sua session.


Choco Barrel


Faz tempo que gosto do estilo viajante fazendo parceria com nativos das regiões,pois alem de ajudar a turma em seus trampos,aproveitamos a trip ao máximo. Profundo conhecedores,vale a pena estar no lugar certo na hora certa. Já na Baia de Huatulco,contratamos os sevirços do Infinity Surf Chaters www.infinitysurfcharters.com
,dos irmãos Erik e Iker Velasco. Alguns US dólares por cabeça ao dia com tudo incluso,barco,combustível,rango e hospedagem.Com isso,eliminou-se o pagamento da taxa de U$D 800.00 por fotografo. Diz a lenda que o valor era valido para 15 dias de licença ,mas como não ficávamos mais que 3,4 dias em cada pico, a conta iria ser cara. Digo isso porque em relato de dois casais de brasileiros ,alertaram-nos para não sermos enganados,pois falsos guias poderiam surgir. Eles disseram que pagaram U$D 150.00 a um suposto guia que passou o dia junto a eles em um dos picos de Salinas para ficarem tranquilos e no dia seguinte ao chegarem em outro pico,outro cara queria cobrar-lhes mais uma taxa. Quando citaram o nome do suposto guia,o sujeito relatou não conhecer e dizer que o guia ali seria ele.
Em nossa primeira saída de barco rumo aos secrets spots na área de Huatulco {chamaremos Huatulco Secrets toda nossa área explorada a pedido dos Guias e para preservar para que outros aventureiros tenha o mesmo gosto especial que nós}

O capitão Jaime nos deixou na cara do gol em uma direita curta para os padrões da região,porem bem tubular. Seu pai foi um dos primeiros a fazer aquela área e desde pequenino ,o cara já tocava o barco,logo tinha muito a manha. Nesse dia nos esbaldamos,ficamos umas 4 horas na água. Muitos dos secrets existentes ali na área,ou não tinha acesso nenhum ou era de difícil acesso. Quando chegamos nesse primeiro pico,dois caras que segundo o guia Erik frequentavam o local,estavam surfando com mais duas pessoas. Logo ambos foram intimados a não ficarem levando pessoas desconhecidas que não fossem com guias. Depois da dura,a turma que já deveria estar farta de ondas {já estavam lá quando chegamos},se retirou e ficamos sozinhos. O surf foi muito bom,alguns tubos e muitas manobras aéreas,com destaque para Xande Ferraz ao mandar um double grab bem alto e Gabriel Farias,que não parava quieto no out side. O cara parecia uma peneira,pois se alguém não fosse em qualquer onda por pior que fosse,ele iria. E nessas saia voando a torto e a direito. Já Dodô,decidiu ficar mais ao inside e esse também,não parava de pegar ondas. Ele ficava na divisa,onde justamente Clemente Coutinho documentava a sessão. Neste dia Rato deu boas batidas,jogando bastante água. Júlio era só sorriso,pois estava ali com ferias mais que merecidas. O nativo Erik nos deixou livre no pico,porem pegou altas mais embaixo a bordo de uma fez 4’8,da Fire Wire .


O cara voava com o “pescado”! Eu também me diverti muito ,mas não aguentei surfar na segunda session,quando a turma optou por surfar Barra de La Cruz mais uma vez no caminho de volta. As ondas ali haviam baixando um pouco em relação ao dia anterior,logo não valia a pena depois de ter surfando ondas de um metrão mais cedo e de ter comido um ceviche delicioso preparado por Iker,pois essa era a função do irmão do Erik,mestre “cuca”. Mesmo assim Rato Fernandes e os grommets foram e sei que se divertiram,mas aproveitei mesmo foi pra tirar uma soneca no balanço do barco. Durante a noite,a turma deu um role em Huatulco .


Os de maior na gelada e os de menor no refrí. Pizza deliciosa,carboidrato para dentro e dia seguinte despertamos ao clarear. Tudo armado no porto, lancha e capitão Jaime a postos. Ao deslizarmos no canal da marina,belas casas a nossa vista e o leve terral soprando. O dia prometia. Em nossa primeira parada em um secret sem acesso por terra,uma pequena lancha se encontrava no local. De imediato rolou um stress,pois segundo Erik,a embarcação não tinha permissão de estar trabalhando ali. O bate boca rolou,mas segundo o cara que estava na água,um Americano,só estavam ali em companhia de amigos,não tinha veículo de trabalho. irritado,Erik pediu a Clemente que documentasse o barco,pois aquilo usaria como prova para entregar as autoridades. Com os vários picos descraudeados ou sem crowd algum, Jaime decidiu nos levar para picos mais distantes,cerca de milhas náuticas percorridas e já nos encontrávamos próximos a região de Salinas. Caracolhes! Vibramos ao ver o ouro que nossos guias nos mostraram. Foi uma gritaria só,paredes longas,tubos no drop e no inside,muitas manobras era o que nos esperava aquela session. A cada onda surfada,a alegria estampada nos rostos da turma. Pego uma onda muito longa e decido dar a volta pela beira da praia para pular novamente junto ao costão. Fui arriscando em meio a pedras e caminhos que eu desconhecia,mas a experiência após uma serie maior lavar o caminho,me botou no pico. Mas perdi a série seguinte. Serie esta que Ferraz pegou e acabou vacando no drop. A onda rodou seco,caso tivesse completado,tiraria o tubo do dia. No entanto outros tubos e ondas de categoria foram surfadas. Luel fez falta,ia ficar doido com as condições e com certeza arrebentar. Rato Fernandes toca uma pousada e Maracaípe,da aulas de kite e tem um revenda de pranchas em Recife. Vida corrida,mas nesta sessiom mostrou que o surf estava no pé. Rato pegou boas da série e com paciência,executou belas rasgadas,snaps e batidas no time certo. Biel Farias estava em ecstasy. Disse até que iria casar com uma Mexicana e morar ali! Não passava nenhuma onda em que estivesse ao seu alcance. O bicho pegava todas e ia enchendo as “bichas” de aéreos com tudo quanto era tipo de variação. E ao final de cada onda,sempre buscava o Clemente pra saber se ele havia fotografado ou filmado,aliás,o cara estava psico por imagens,relatou que não conseguia mais surfar sem ter uma session documentada. Bastou isso pra a turma ficar fazendo chacotas e principalmente Clemente,disse que não iria mais filmar nada.


O bichinho ficou “amuado”,mas aquilo transparecia toda sua vontade surfistica competitiva. Eu ficava imaginando Dodô naquele play gronwd,a mais pura disneylandia. Minha primeira viagem de surf foi para Baia Formosa{RN},pra mim havia sido uma arraso. Mas pro moleque de “Maráca”,viagem internacional e estava ali engroçando suas “canetas” nos secrets de Huatulco. Que luxo! Que “glamour”! Aliás,esta foi uma das palavras surpresas que ele soltou quando banhava-se confortavelmente na piscininha com hidromassagem na house “estileira” em que nos hospedamos. E nem preciso dizer que a gargalhada da galera era grande. Xandi Ferraz manobrava rápido e também mandando bons aéreos. Em determinado momento a turma cansou e enquanto rangávamos no barco,assistíamos a Júlio Marques pegando um bom momento da maré. O cara pegou umas 5 ondas da série fazendo um baze lip old school para abrir o apetite. Após o descanso, mais surf,no entanto a maré mudou e as ondas passaram há pular um pouco. Mas nem por isso deixaram de estarem divertidas. A real era que a turma já estava exausta e resolvemos partir mais cedo,afinal,nosso derradeiro dia e com um swell maior, que estava por vir. Chegamos no dia seguinte ainda mais cedo ao cais e partimos clareando. Notamos o balanço e checamos o primeiro pico,o mesmo que nosso guia havia constatado o barco não autorizado em outro dia. O mar parecia bom ,maior e vimos uma boa série. Mas a turma não parava de pensar no pico do dia anterior e da possibilidade da onda está kilometrica. Decidimos partir mesmo sem uma alma viva ali. Até nosso destino,mais um pit stop em outro pico que havíamos surfado no primeiro dia.

Que dilema! A turma não se decidia! Tava sobrando onda! Pra dar um basta,botei pilha pra irmos ao pico do dia anterior e no fim de tarde voltaríamos pra o que estávamos analisando naquele exato momento. Mais algumas milhas náuticas e lá estava eu arrependido após ter pego uma da série e constatar que meus braços já não aguentariam remar tudo aquilo de volta. Decidi por uma longa caminhada de volta enquanto analisava uma série de uns 5 pés ou mais varrer o pico. Rato Fernandes decidira filmar a session da areia,após ter pulado munido de sua câmera na água com uma bolsa impermeável.Rolava um contra luz bem difícil de se captar a imagem,mas o visual era tremendo com aquelas paredes correndo. Esperei bem a série passar pra pular no point mais uma vez,porem mais abaixo que no dia anterior,pois não queria ser varrido. Dei sorte e entrei rapidamente,mas a correnteza estava bastante forte com a vazante da maré. O posicionamento estava mais difícil e quem teve paciência e braço,se deu bem. Júlio e Ferraz pegaram boas. Em determinado momento dois Brasileiros e dois gringos foram aparecendo no pico em sequencia .

Quando Erik os viu, pulou do barco e foi convida-los a retirarem-se,já que mesmo desbravando a área e indo ali sozinhos,estavam sem um guia nativo. Os dois Brasileiros ainda haviam pego algumas ondas e de certa forma fizeram a cabeça,no entanto os gringos ainda não tinham entrado na água e tiveram de retornar a longa caminhada escaldante. Deu pena,porem nem chegamos a argumentar com nossos guias,pois mesmo eles sabendo que será difícil segurar o local intacto por muito tempo,seguem dando duras. Saí do mar mais cedo,o barco balançava e Clemente abandonou os clics,pois estávamos distante e ficava difícil trabalhar. Nessa Dôdo ainda pegou boas ondas,inclusive conseguindo encaixar bem nos tubos balançados. O garoto tem enorme futuro,pois é estigado e audacioso.

Gabriel seguindo a mesma linha,mas sem “filmagem”,não tinha conversa,pegou uma fez quadri quilhas do local e foi se despedir totalmente “soul”,sem aéreos estrambólicos,de nossa ultima session nos secrets de Huatulco. Já em Puerto Escondido em nossa ultima manhã,Clemente tomou chamada de fotografo na água. O cara estar com lentes objetiva e Clemente com a olho de peixe,logo teria de ficar embaixo da onda e, por ventura,no meio do bolo. Ou seja, as vezes na frente . O cara que segundo Clemente era fotografo local,relatou existir regras,como nosso trabalho era focado em nós mesmos,nos afastamos evitando problemas. Mas o afastamento rendeu foi bons frutos,pois todos nos pegamos altas ondas e fechamos a barca , todos “cabeção”!
 
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