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Nome
Paulo Kid
Idade
39 anos

Local do Guarujá (SP), Paulo Kid, 39 anos, é o técnico da equipe Hang Loose e de importantes nomes da nova geração do surf nacional.

Kid começou a surfar com uma prancha de isopor em 1979, quando tinha nove anos e, aos 12, descolou emprestada uma prancha com o Pretinho, dono da loja Surf Center, uma das primeiras do Brasil localizada no calçadão de Pitangueiras, Guarujá (SP).

Além de incentivar Kid, Pretinho teve participação ainda na escolha do apelido que virou sobrenome de Paulo Mendes “Andava com mais dois moleques que também tiveram os apelidos dados por ele: o Naná e o Orelha. Pretinho foi um dos melhores surfistas do Guarujá nos tempos áureos do surf. Ele tinha muito feeling”, lembra Kid.

Quando começou a competir, Kid disputava eventos locais promovidos pelos Maluf Brothers e também participava de torneios em outros estados, como o Rio de Janeiro. “Fazer tudo por uma medalha era o lema da época”, conta.

Aos 17 anos virou profissional e disputou o primeiro circuito brasileiro, ficando entre os Tops-30 durante cinco anos, e competindo contra atletas de ponta como Picuruta Salazar e Paulo Rabelo até 1994.

Foi campeão paulista na época do fenômeno Tinguinha, em 1986, também um de seus incentivadores. Seus primeiros patrocinadores foram a Hang Ten e as Casas Bayard. “Buscávamos patrocínio em loja de qualquer coisa, até em imobiliária”, lembra Kid.

Graças ao apoio de Toni Regino, de uma distribuidora Brahma, Kid pôde investir em trips com as passagens que recebia. Segundo ele, nesta fase o mais difícil era a falta de grana. “Mas, tínhamos mais correria, éramos mais atirados”, recorda.

Kid integrou a equipe Hang Loose entre 1984 e 1988. Ainda nos anos 80, o surfista começou a correr as etapas do circuito mundial e fazia free surf em picos espalhados pelo mundo.

Hoje, divide seu tempo entre as competições e a carreira de técnico, atuando com talentos da nova geração, como Heitor Pereira, Júnior Faria, Jessé Mendes e Sidney Guimarães na praia do Tombo, Guarujá. "Tenho um grupo pequeno porque gosto de dar atenção total", afirma.

Em 98, Kid começou a surfar de longboard. No ano seguinte, seu conterrâneo Amaro Matos botou pilha e ele começou a correr os campeonatos. Disputou então o circuito brasileiro profissional e chegou à semifinal.

Logo em sua estréia na categoria, foi campeão paulista amador. Depois garantiu o título de campeão europeu (tem cidadania portuguesa) em 2003. Em 2004, ficou em segundo em uma etapa do circuito mundial em Portugal, finalizando o ano na oitava posição no ranking mundial.

Envolveu-se naturalmente e novamente com as competições. Até 2004, corria o campeonato brasileiro profissional da modalidade. “Competir no longboard é muito melhor do que na pranchinha. É outro astral, os atletas se divertem muito mais. Todo mundo viaja junto e os campeonatos rolam em lugares especiais como J-Bay, México, Baja Califórnia, Nova Zelândia e Brasil”.

Kid explorou as ondas de G-Land na Indonésia, Fiji, Chile e Peru. Também já curtiu cinco temporadas no Hawaii, viajou sozinho à Republica Dominicana e curtiu a Ilha de Páscoa com os big riders Carlos Burle e Jorge Paccelli.

Formando atletas - Sem patrocínio em 1994, Kid resolveu morar no exterior. “O surf estava em período de transição, mas nossa geração perdeu espaço. Fui morar durante seis meses na Califórnia, trabalhava como ajudante de garçom e estudei inglês”, recorda Kid.

Em 95, de volta ao Brasil ele começou a colocar em ação o plano de montar uma escolinha de surf. Dois anos depois, investiu em talentos do Guarujá como Heitor Pereira, Junior Faria, e os irmãos Sandino e Camilo Honke. “Fazia treinos e simulações de baterias. Entrava junto quando o mar estava grande. O trabalho foi crescendo naturalmente junto com os moleques”, afirma.

Kid começou a acompanhar a molecada nas etapas do brasileiro amador. Até que Alfio (Lagnado), fundador da Hang Loose, convidou-o para dar cuidar dos atletas da Hang Loose, Reef e Quiksilver. “Os surfistas passam um tempo comigo. Os amadores acompanham o cronograma de viagens que elaboramos e os profissionais também. Traçamos as competições do ano para decidir em quais participar”, revela.

O trabalho desenvolvido por Kid conta ainda com a parceria fundamental do preparador físico Ricardo Vilalva e da psicológa Diva Assef.

Em seu currículo profissional, ele acumula os cursos de nível 1 e 2 da Surfing Austrália, ministrado no Brasil pelo técnico Marcos Conde. “Mas, o treinamento é baseado principalmente em minha experiência e no trabalho que desenvolvo com os garotos nos últimos 12 anos”, reforça.

Sobre a relação com os meninos, Kid considera importante ser amigo, mas também tem que ser técnico. Para ele, para se destacar um atleta tem de ter “vontade, equipamento, disputar as competições fortes, viajar para evoluir e se observar surfando para aprimorar o estilo e corrigir as falhas”.

“Não se pode criar uma expectativa em cima dos garotos. É fundamental o surfista viajar durante o ano pelo menos para o Hawaii, Indonésia e México. Estudar é importante, bem como ter uma estrutura familiar”, complementa o formador de campeões.



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